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Mercado29 de out. de 2026, 15:41

Startup de exame de sangue ligada a Elizabeth Holmes vira "Theranos 2.0" sob suspeita

A Haemanthus, fundada pelo parceiro da ex-CEO da Theranos, já captou até US$ 20 milhões sem produto público, sem dados publicados e depois de perder o CTO — mas nega o rótulo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Zero produto, zero dados, milhões captados

A Haemanthus, startup de testes de sangue fundada por Billy Evans — parceiro de Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos condenada em 2022 por fraudar investidores sobre a tecnologia de diagnóstico da empresa —, já levantou até US$ 20 milhões em investimento e detém ao menos uma patente concedida. O que ela não tem, até agora, é um produto à venda para qualquer cliente nem dados publicados comprovando que a tecnologia funciona de forma confiável para detectar doenças.

A promessa da empresa é combinar espectroscopia Raman — técnica de detecção molecular baseada em luz — com inteligência artificial para criar "sensores nativos de IA" aplicados à saúde, com planos de começar pelo uso veterinário antes de avançar para um dispositivo do tamanho de um selo, vestível, em humanos. É uma ambição que ecoa diretamente o pitch original da Theranos: miniaturizar exames de sangue complexos em um único aparelho.

Sinais de alerta que a empresa tenta neutralizar

A lista de red flags cresceu nas últimas semanas. Joseph LaChapelle, ex-diretor de tecnologia da Haemanthus e nome presente nas patentes que deram origem à empresa, deixou o cargo em março. A companhia também não tem informação de contato pública visível e fechou as mensagens diretas da própria conta no X — combinação que analistas do setor de saúde digital apontam como incomum para uma empresa que já movimenta capital de risco relevante e promete revolucionar diagnóstico médico.

Relatos indicam ainda que Holmes, hoje cumprindo pena de 11 anos de prisão, aconselharia Evans informalmente sobre o negócio — o que a Haemanthus nega, afirmando que a fundadora da Theranos não tem qualquer envolvimento na empresa. Publicamente, a Haemanthus rejeita o apelido "Theranos 2.0": em nota, a empresa argumenta que "a Theranos tentou miniaturizar testes já existentes. Nossa abordagem é fundamentalmente diferente... a ciência, quando estiver pronta, vai se sustentar pelos próprios méritos".

Quem ganha, por ora, são os primeiros investidores, que entraram com avaliação baixa em uma tese potencialmente disruptiva antes de qualquer validação pública. Quem já perdeu algo é a própria credibilidade do projeto: trocar o diretor de tecnologia responsável pelas patentes fundadoras, sem explicação pública, é o tipo de sinal que o mercado de biotecnologia aprendeu a temer depois do colapso da Theranos — avaliada em US$ 9 bilhões no auge e reduzida a zero após a fraude ser exposta. Sem produto, sem dados e sem CTO original, o ônus da prova está do lado da Haemanthus, não dos críticos.

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