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Ciência21 de ago. de 2026, 14:23

Startup de fusão nuclear reduz produção de combustível de dias para horas

A Inertia Enterprises, fundada pelo ex-CEO da Twilio Jeff Lawson com pesquisadores por trás do primeiro reator de fusão a produzir mais energia do que consumiu, cortou de dias para horas o tempo de preparo do combustível — um dos dez obstáculos para viabilizar comercialmente a fusão.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um grão de pimenta com casca de diamante

Cada "combustível" de um reator de fusão por confinamento inercial é uma cápsula do tamanho de um grão de pimenta: uma casca esférica de diamante que guarda, por dentro, uma camada finíssima de deutério e trítio — isótopos de hidrogênio — congelados a temperaturas extremas. É esse minúsculo objeto que a startup americana Inertia Enterprises diz ter aprendido a fabricar muito mais rápido.

O que já foi confirmado

Segundo reportagem da TechCrunch, a Inertia reduziu de cerca de uma semana para aproximadamente 30 minutos o tempo necessário para "cultivar" o cristal de combustível dentro da cápsula — um processo parecido com o crescimento controlado de um cristal de açúcar, só que em escala microscópica e sob condições de pressão e temperatura rigorosamente calibradas. O preenchimento completo da pastilha, que antes também levava dias, passou a ocorrer em poucas horas.

A empresa nasceu de uma licença da tecnologia validada no National Ignition Facility (NIF), o laboratório do governo americano onde a fusão por confinamento inercial foi comprovada pela primeira vez, e usa um laser mais potente que o do laboratório original para disparar contra as cápsulas várias vezes por segundo, gerando calor e pressão suficientes para iniciar a fusão. A Inertia foi cofundada por Jeff Lawson, ex-CEO e cofundador da Twilio, ao lado de Annie Kritcher — que liderou o experimento do NIF que, em 2022, produziu pela primeira vez mais energia de fusão do que a injetada nas cápsulas — e Mike Dunne, ex-diretor do acelerador de partículas LCLS, da Universidade Stanford. Em fevereiro deste ano, a empresa levantou US$ 450 milhões em uma rodada liderada pela Bessemer Venture Partners, com participação da GV (fundo da Alphabet, controladora do Google), Modern Capital e Threshold Ventures.

O que ainda é hipótese

Reduzir o tempo de fabricação do combustível é, segundo a própria empresa, apenas um de dez obstáculos técnicos que precisam ser resolvidos antes de a fusão inercial virar uma usina comercialmente viável — a TechCrunch não detalha quais são os outros nove. A Inertia também não informou o custo de produção por cápsula nem quantas unidades por dia pretende fabricar em escala industrial, dado essencial para saber se o processo é rápido o bastante para alimentar um reator operando de forma contínua. O plano de longo prazo é iniciar a construção de uma usina em escala de rede elétrica a partir de 2030 — mas isso ainda depende de todos os outros gargalos serem resolvidos primeiro.

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