
Startup de inteligência marítima Quartermaster capta mais US$ 140 milhões
A empresa que promete cobrir o 'maior ponto cego da Terra' já soma US$ 183 milhões captados e equipou mais de 650 navios com sensores que rastreiam o oceano em tempo real.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 140 milhões e US$ 183 milhões no total
A Quartermaster, startup de inteligência marítima sediada em Arlington, na Virgínia (EUA), fechou uma Série B de US$ 140 milhões, apenas quatro meses depois de ter captado uma Série A de US$ 43 milhões em maio. Some as duas rodadas e o total sobe para US$ 183 milhões — uma escalada rápida para uma empresa que se descreve como cobrindo o "maior ponto cego da Terra": o oceano.
Da Série B, US$ 100 milhões vieram em equity, liderados pela Insight Partners, gestora americana focada em software, com a estreia da Overmatch Ventures, fundo voltado a defesa, e participação de investidores já presentes na base, como a First Round Capital. Os outros US$ 40 milhões chegaram como dívida, numa operação estruturada pelo banco de investimento Stifel — um sinal de que a empresa já tem receita e ativos suficientes para sustentar alavancagem, não só equity puro.
O que o SmartMast faz
O produto da Quartermaster é o SmartMast, um hardware instalado no mastro dos navios que combina câmeras e rádios para captar e transmitir dados marítimos em tempo real — cada unidade gera dezenas de gigabytes de informação por dia, volume que supera o que o padrão atual da indústria, o sistema AIS (Automatic Identification System), consegue entregar. Isso permite prevenção de colisão, monitoramento de congestionamento em rotas navais e apoio a resgates de marinheiros.
A tração operacional é o que justifica o cheque: mais de 650 navios em 25 países já usam o sistema, com mais de 800 unidades enviadas a clientes que vão de governos a seguradoras e empresas de navegação — o oceano, afinal, é onde estão as apólices mais caras do mundo.
Por que agora
O interesse por esse tipo de inteligência marítima foi turbinado pela guerra no Irã e pelo caos que ela gerou nas rotas de navegação, expondo o quanto o setor ainda opera às cegas fora dos portos. Nick Sinai, da Insight Partners, descreveu a tese como a construção de "uma rede distribuída para o oceano", onde dados confiáveis em tempo real historicamente eram difíceis de obter. Quem ganha aqui não é só a Quartermaster: é todo o ecossistema de seguradoras e governos que hoje precificam risco marítimo baseados em dados incompletos — e que agora têm um fornecedor de granularidade inédita.