
Startup de Polansky capta US$ 23 mi para treinar IA com pele viva
A Outer Biosciences, dirigida pelo parceiro de Lady Gaga, mantém tecido de pele humana vivo por até 30 dias fora do corpo para treinar um modelo de IA que busca novos compostos de skincare. A empresa já levantou US$ 23 milhões e tem 6 candidatos em pipeline.
Por Marina Sato · Repórter de IA
US$ 23 milhões para manter pele viva em laboratório
A Outer Biosciences captou cerca de US$ 23 milhões desde a fundação, em 2022. A startup, com 19 funcionários majoritariamente em Cambridge, Massachusetts, saiu do modo silencioso nesta semana. Seu produto não é um app nem um chatbot: é um sistema que mantém tecido de pele humana vivo por até 30 dias fora do corpo, prazo bem acima do padrão da indústria, medido em dias.
Quem lidera é Michael Polansky, mais conhecido publicamente como parceiro de Lady Gaga. Antes disso, formou-se em Harvard em 2006, passou três anos na Bridgewater Associates, foi principal na Founders Fund ao lado de Peter Thiel e Sean Parker, e trabalhou como executivo sênior no family office de Parker. Também dirige o Parker Institute. Ele conheceu Stefani Germanotta em 2019, apresentado pela mãe dela — que já dirigia a Born This Way Foundation. Germanotta hoje senta no conselho da Outer Biosciences.
Como funciona o ciclo
A empresa recebe pele humana descartada após cirurgias — principalmente plásticas —, via bancos de tecido como o National Disease Research Interchange e o Cooperative Human Tissue Network. O material chega em horas, ainda vivo. Um sistema proprietário fornece nutrientes e remove resíduos metabólicos, preservando o que a empresa chama de "arquitetura de dia zero": os programas moleculares epiteliais, estromais e imunológicos originais do tecido.
O ciclo funciona assim: a IA prediz quais compostos podem ter efeito benéfico, o tecido vivo testa essas previsões, e o resultado realimenta o modelo. Segundo a empresa, isso gera um novo candidato a cada seis semanas. O pipeline atual tem 6 leads ativos e dezenas de "hits" adicionais; 4 dos 6 leads já avançam para comercialização.
Cosmético, não remédio
Por mirar cosméticos e não fármacos, a Outer Biosciences não precisa de aprovação da FDA — hoje há apenas entre 120 e 130 ingredientes ativos aprovados para produtos OTC pela agência, distribuídos em 13 categorias. A estratégia declarada é licenciar ou vender ingredientes prontos para marcas de beleza e farmacêuticas, sem criar marca própria de consumo. A empresa diz também rodar a IA on-premise, sem enviar dados biológicos para a nuvem, já que, segundo Polansky, "não existe uma 'internet da biologia' para raspar".
A concorrência já tem escala maior: a Vivodyne, da Filadélfia, capta tecido de órgãos cultivado em laboratório e já levantou perto de US$ 80 milhões, incluindo uma rodada seed de US$ 38 milhões e uma Series A de US$ 40 milhões liderada pela Khosla Ventures.
Fica em aberto se o modelo de licenciamento realmente converte os 4 leads em produtos vendáveis, em que prazo, e se a promessa de dados 100% locais resiste ao ritmo de expansão que a empresa diz querer imprimir agora que decidiu operar "em público".