tech & talk
CiênciaMercado15 de out. de 2026, 10:22

Startup do MIT diz converter caminhões a diesel para hidrogênio mais barato

A LNK Energies afirma ter miniaturizado o reator que transforma hidrogênio líquido em combustível para caminhões Classe 8, prometendo custo menor que o diesel. A promessa ainda depende de testes em escala comercial.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana: um reator do tamanho de um mini refrigerador

Imagine trocar o motor de um caminhão sem trocar o motor: é essa a promessa da LNK Energies, startup oriunda do MIT, universidade americana referência em engenharia, que vai apresentar sua tecnologia no TechCrunch Disrupt, em São Francisco, entre os dias 13 e 15 de outubro. A empresa diz ter encolhido um equipamento que normalmente tem o tamanho de um contêiner de carga até caber num espaço comparável a uma geladeira pequena.

O que é confirmado

Foto: reprodução/tokenpost.com

O mecanismo usa portadores orgânicos líquidos de hidrogênio, os LOHCs, substâncias líquidas capazes de absorver hidrogênio e depois liberá-lo sob demanda. A técnica em si não é nova: já é usada para transportar grandes volumes de hidrogênio de refinarias até postos de abastecimento. O que a LNK apresenta como diferencial é o reator miniaturizado, que permitiria instalar o sistema dentro do próprio caminhão. O combustível seria armazenado em tanque convencional e abastecido como diesel comum; a liberação do hidrogênio ocorreria a bordo, alimentando motores de combustão interna adaptados com poucas modificações.

Segundo a TechCrunch, hoje a demonstração da empresa existe em escala de laboratório: um reator alimenta um motor de cortador de grama. Não há, por ora, um caminhão real rodando com o sistema.

O que é promessa da empresa

Os números de custo vêm diretamente dos fundadores, não de uma auditoria independente. Alexis Huynh, diretora de tecnologia da LNK, afirma que o custo total de propriedade de um caminhão Classe 8 convertido seria 13% mais barato que o do diesel. A empresa também projeta vender o combustível a US$ 6,50 por galão depois de produzir entre 50 e 100 veículos, sem depender de subsídio governamental, uma meta de escala que ainda não foi atingida.

O plano declarado é instalar uma versão maior do reator em um caminhão comercial dentro de 18 meses. Até lá, a conversão de frotas reais para hidrogênio mais barato que o diesel continua sendo uma hipótese de negócio, não um resultado medido em estrada.

Por que importa

O setor de transporte pesado é um dos mais difíceis de descarbonizar, e soluções que aproveitam a frota diesel já existente, em vez de exigir veículos elétricos ou a hidrogênio do zero, tendem a atrair atenção de investidores justamente por isso. Resta saber se a LNK consegue sair do banco de testes e provar o modelo em um caminhão rodando de verdade.

hidrogêniolohccaminhõestechcrunch disruptenergia
Compartilhar