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Mercado24 de set. de 2026, 23:06

Startup dos EUA capta US$ 800 mil para robô que aperta parafuso de tubulação

A Nexterity, fundada por uma ex-engenheira da ExxonMobil, desenvolveu um robô portátil que aperta ou afrouxa até quatro parafusos de tubulações industriais ao mesmo tempo. A empresa já levantou mais de US$ 800 mil e aposta em um modelo de aluguel do equipamento.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Dois investimentos, nenhuma rodada precificada

A Nexterity, startup americana de robótica industrial, já reuniu mais de US$ 800 mil em capital sem fechar uma rodada de venture precificada. O montante veio de US$ 50 mil do fundo Next Wave NYC, da Flybridge Capital, empresa de venture capital americana com histórico de apostas em startups em estágio inicial, conquistados em uma competição de pitch voltada a inteligência artificial, mais US$ 100 mil em subsídio não-dilutivo ligado ao MassRobotics Accelerator, programa de aceleração de robótica sediado em Massachusetts, além de recursos do Exército americano. É pouco dinheiro para o padrão de hardware profundo, mas revela algo mais interessante: o produto já nasceu pensado para gerar receita antes mesmo de uma rodada formal.

O produto: parafuso apertado a distância

O robô, criado pela fundadora Lindsey Elliott, ex-engenheira e planejadora da petroleira ExxonMobil, ataca um problema específico do chamado pipefitting: apertar e afrouxar os parafusos das juntas flangeadas que unem trechos de tubulação em refinarias e plantas industriais. Hoje esse trabalho é manual, repetitivo e arriscado — tarefa que, segundo Elliott, explica por que "a produtividade do pipefitting na América do Norte é notoriamente baixa".

O equipamento pesa cerca de 25 libras (11 kg), roda em bateria, é operado por um controle remoto a mais de 20 metros de distância e cabe em uma mala Pelican, fabricante americana de estojos rígidos usados por militares e equipes de cinema. Ele atua em tubos de 2 a 8 polegadas de diâmetro — faixa que cobre cerca de 80% das tubulações industriais — e consegue apertar ou soltar quatro parafusos simultaneamente.

Quem ganha com o modelo de aluguel

Em vez de vender a máquina, a Nexterity está estruturando um serviço gerenciado: turnos de 12 horas cobrados a US$ 25 mil, com o robô operado por técnicos da própria startup. É uma aposta em recorrência de receita, não em venda de hardware — modelo que reduz a barreira de adoção para operadoras de refinarias, mas também mantém a Nexterity no controle da operação e dos dados de uso. A empresa foi selecionada para o Startup Battlefield 200 do TechCrunch Disrupt, vitrine que costuma atrair olhares de fundos de corporate venture do setor de óleo e gás. Resta saber se as petroleiras, historicamente conservadoras na adoção de robótica de campo, vão pagar pelo turno ou preferir seguir apertando parafuso à mão.

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