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CiênciaMercado21 de ago. de 2026, 14:23

Startup encolhe 40x peça-chave e quer baratear energia nuclear

A Apollo Atomics, formada na Y Combinator, promete eletricidade nuclear mais barata que o gás natural ao redesenhar o gerador de vapor do reator, reduzindo-o do tamanho de um prédio para o de uma pessoa.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Do tamanho de um prédio para o de uma pessoa

Imagine pegar um componente que hoje ocupa vários andares de uma usina nuclear e encaixá-lo em um espaço do tamanho de uma pessoa em pé. É essa a escala da aposta da Apollo Atomics, startup que saiu da aceleradora Y Combinator e promete tornar a energia nuclear mais barata que o gás natural ao mexer numa peça que, segundo a empresa, todo mundo ignorou: o gerador de vapor.

Confirmado pela reportagem da TechCrunch: a Apollo desenvolveu um bloco compacto de metal com canais ultrafinos para transferência de calor, batizado de Compact Steam Generator (CSG), inspirado em pesquisa do MIT. Segundo a Y Combinator, esse componente é cerca de 20 vezes menor que um gerador de vapor convencional, mantendo a mesma potência térmica — e é esse redesenho que, isoladamente, torna o reator inteiro cerca de 40 vezes mais compacto.

O que é confirmado

A tecnologia parte de um design já licenciado: o reator de água pressurizada (PWR), usado em cerca de 80% das usinas nucleares do mundo, segundo a Apollo. Isso significa reaproveitar água leve, urânio pouco enriquecido e cadeias de suprimento já estabelecidas — em vez de apostar em uma química de reator inteiramente nova, como fazem outras startups do setor.

A empresa já construiu um reator de demonstração de 40 quilowatts no MIT. A rodada semente foi de US$ 26 milhões, dos quais US$ 5 milhões em dívida, liderada pela FCVC e com participação de Telesoft Partners, Alumni Ventures, Robinhood Ventures e outros — a Y Combinator também investiu. A Apollo foi fundada pelo CEO Assil Halimi, PhD em nuclear pelo MIT, e por Drew Walker.

O que ainda é promessa

Aqui a conversa muda de registro: os números mais ambiciosos ainda não foram comprovados em escala comercial. A Apollo diz que pretende produzir eletricidade a 3 centavos de dólar por quilowatt-hora — abaixo do custo típico do gás natural — e fabricar reatores em série de fábrica, não mais montados no local da obra, com um custo de produção de 4 a 5 vezes menor que os projetos existentes atuais.

A startup planeja oferecer reatores em três portes, de 10 MW a 300 MW, com promessa de construir uma planta de 300 MW em menos de 24 meses — um prazo bem distante da década ou mais que uma usina nuclear convencional costuma levar. Uma demonstração maior está prevista antes de qualquer implantação comercial, projetada para 2028.

"Focamos no maior componente, o gerador de vapor. Conseguimos encolher esse componente e tornar todo o sistema muito mais compacto", disse Halimi à TechCrunch.

O teste real virá da regulação: a Apollo ainda precisa avançar junto à Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC) antes de qualquer reator comercial sair do papel.

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