
Startup faz usina solar virar seu próprio backup, sem planta reserva separada
A 247Solar, startup derivada do MIT, criou uma planta de energia solar concentrada que reaproveita a mesma turbina para operar com calor solar armazenado ou queimando combustível em dias nublados.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: pense numa usina que funciona como um fogão de lenha gigante com espelho — de dia, ela guarda calor do sol em pelotas de cerâmica do tamanho de bolas de golfe; de noite, ou quando o céu fecha, ela simplesmente queima combustível no mesmo forno que usava pro sol, sem precisar construir uma segunda usina ao lado. É essa a proposta da 247Solar, startup americana derivada de pesquisa do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma das principais universidades de engenharia do mundo), segundo reportagem da Ars Technica.
O que é confirmado
O sistema é de energia solar concentrada: um campo de espelhos móveis, os heliostatos, foca a luz do sol no topo de uma torre central, onde um receptor aquece ar em pressão ambiente a cerca de 970°C. Esse ar quente passa por um trocador de calor, sai a algo perto de 250°C e aciona dois geradores de 200 kW cada.
A parte guardada do calor vai para pelotas cerâmicas que funcionam como bateria térmica, permitindo gerar eletricidade por 9 a 20 horas depois do pôr do sol, segundo a empresa. O diferencial de design, apontado por Mark von Keszycki, executivo da 247Solar, é que o sistema de backup a combustível fóssil usa a mesma infraestrutura do lado solar — turbina padrão, de prateleira — em vez de exigir uma planta reserva inteira separada. Segundo a empresa, adicionar a capacidade de queimar combustível aumenta o custo total do sistema em menos de 10%.
A 247Solar já tem um projeto de 1 megawatt na Índia, combinando a torre solar com painéis fotovoltaicos — que cuidam da geração diurna mais barata — enquanto a torre assume à noite ou em dias nublados. O próximo projeto planejado é de 3 megawatts, com design modular.
O que ainda é hipótese
A própria Ars Technica nota que a energia solar concentrada nunca conseguiu acompanhar a queda de custos dos painéis fotovoltaicos comuns, hoje a fonte mais barata de eletricidade na maior parte do mundo — por isso o nicho da 247Solar é mirar aplicações específicas, como mineração remota isolada da rede elétrica, onde hoje se depende de diesel caro importado. Ainda não há dados independentes publicados sobre desempenho do sistema em escala comercial plena.