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Ciência21 de out. de 2026, 14:29

Startup gera energia de vulcão submarino por 8,7 segundos

A Endurance Energy perfurou um poço de 16 metros no fundo do oceano Pacífico, perto do vulcão submarino Axial Seamount, e conseguiu gerar mais energia do que consumiu por quase 9 segundos. É pouco, mas é a primeira vez que isso acontece nesse tipo de sistema.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Oito segundos e sete décimos. É menos tempo do que você levou pra ler o título desta matéria — mas foi o suficiente pra uma startup provar que dá pra tirar eletricidade do calor de um vulcão submarino, a quase 1.500 metros abaixo da superfície do oceano.

O que está confirmado

A startup americana Endurance Energy, fundada por um ex-engenheiro da SpaceX que já levantou US$ 54 milhões para o projeto, testou em setembro um sistema de geração geotérmica submarina perto do Axial Seamount, um vulcão submarino ativo no Pacífico, a cerca de 480 km da costa do estado americano do Oregon. A equipe perfurou, no leito oceânico, um poço de apenas 5 cm de diâmetro e 16 metros de profundidade, que atingiu uma zona de calor de cerca de 260°C sob o fundo do mar. A água subiu pelo poço nessa temperatura, e um gerador de três toneladas foi baixado ao leito oceânico para testar a conversão desse calor em eletricidade.

O resultado do teste de três semanas: o gerador funcionou por um total de 29 segundos, e durante 8,7 segundos desse período produziu energia líquida positiva — ou seja, gerou mais eletricidade (cerca de 2 kW) do que os 7 a 8 kW consumidos pelos próprios componentes de apoio do sistema. Foi a primeira vez, segundo a empresa, que um sistema desse tipo registrou geração líquida positiva.

O que ainda é hipótese ou promessa da empresa

Que esse tipo de energia pode virar fonte viável para nações insulares do Pacífico que hoje dependem de combustíveis fósseis importados é uma meta comercial da Endurance Energy, não um resultado já demonstrado. Especialistas observam que a energia geotérmica submarina provavelmente custará mais do que projetos equivalentes em terra firme, por conta do custo de perfuração e operação em grandes profundidades.

Por que isso importa

O teste é, antes de tudo, uma prova de conceito técnica: mostra que é possível perfurar com segurança e extrair calor de uma fonte vulcânica submersa sem que o poço desmorone ou vaze. Virar isso em uma usina comercial que opere de forma contínua — e não por segundos — é o próximo desafio, e bem maior, da empresa.

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