
Startup quer substituir cobaias animais por mini intestinos humanos de laboratório
A Intero Biosystems, finalista do Startup Battlefield da TechCrunch Disrupt, vende organoides intestinais humanos para farmacêuticas testarem remédios antes da fase clínica. A empresa diz ter poucos clientes, mas já gera receita.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: cada organoide produzido pela Intero Biosystems mede cerca de 1 milímetro — menor que um grão de arroz — e é enviado pelo correio em lotes de aproximadamente 100 unidades. É nessa escala minúscula que a startup de Denver aposta para resolver um problema gigante: a baixa previsibilidade dos testes de remédios em animais.
O que é confirmado
A Intero Biosystems, startup derivada da Universidade de Michigan que fabrica mini intestinos humanos cultivados em laboratório para testar a segurança e o efeito de medicamentos antes da fase clínica, apresentou seu produto como uma das cinco finalistas do Startup Battlefield na TechCrunch Disrupt, em 14 de outubro, segundo o TechCrunch.
O produto principal, batizado de GastroScreen, é descrito pela própria empresa como organoides derivados de células-tronco, com múltiplos tipos de células e tecidos — como revestimento intestinal, neurônios, vasos sanguíneos e músculos — que buscam reproduzir a complexidade do intestino humano real, e não apenas uma camada simples de células.
Fundada em 2024, a startup fechou uma rodada pré-seed oversubscribed de 2,3 milhões de dólares, com participação de doze investidores, incluindo fundos ligados à própria Universidade de Michigan. Segundo o TechCrunch, a empresa registrou receita acima de 400 mil dólares entre o quarto trimestre do ano passado e o terceiro trimestre deste ano, com menos de 10 clientes e uma equipe de 7 funcionários.
O que é hipótese
A promessa central da empresa — reduzir a taxa de fracasso de remédios em ensaios clínicos ao substituir testes em camundongos por tecido humano — ainda não tem comprovação de eficácia em escala divulgada publicamente. A cofundadora e CTO Madeline Eiken resume a aposta: "a maioria dos remédios falha em testes clínicos, e acho fácil entender por quê: nós não somos camundongos, nem camadas planas de células", disse ao TechCrunch.
O que também diz a empresa
O CEO Charlie Childs resume o modelo de negócio em uma frase direta: "a gente literalmente manda minúsculos órgãos vivos pelo correio para as pessoas". Hoje, o número de clientes ainda é pequeno — menos de dez —, o que reforça que a empresa está em estágio inicial de validação comercial, mesmo com receita recorrente e financiamento captado.