Startup usa IA para furar monopólio de aparelhos auditivos e capta US$163 mi
A Fortell Research captou US$ 163 milhões para vender aparelhos auditivos com IA que amplificam seletivamente o som, mirando um mercado dominado por cinco fabricantes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
US$ 163 milhões. Foi o que a Fortell Research, startup americana de aparelhos auditivos com inteligência artificial, levantou numa rodada liderada por Founders Fund, Thrive Capital e Valor Equity Partners. O aporte elevou o valuation da empresa para US$ 740 milhões, segundo a Forbes, que incluiu a Fortell em sua lista de "próximos unicórnios" de 2026.
Seis anos atrás de uma pergunta
A empresa nasceu em 2021, em Nova York, fundada por Matthew de Jonge ao lado de Andrew Casper, Igor Lovchinsky e Cole Morris. A motivação, segundo de Jonge, foi uma pergunta simples: "por que tenho que pedir aos meus avós para colocar aparelhos auditivos, mas ninguém nunca me pediu para colocar óculos?"
A resposta que a Fortell tentou construir em seis anos de desenvolvimento é técnica: em vez de amplificar todos os sons ao mesmo tempo — o que aparelhos convencionais fazem e explica boa parte da rejeição dos usuários —, o produto da Fortell usa IA para interpretar o som em tempo real, identificar o que é relevante, como a fala, e amplificar seletivamente.
Um mercado concentrado em cinco empresas
O termo "monopólio" usado pela startup não é força de expressão: cinco fabricantes controlam 97% do mercado global de aparelhos auditivos, setor historicamente lento para inovar e com baixa cobertura de planos de saúde. O par de aparelhos da Fortell custa US$ 6.800, valor que inclui cinco anos de acompanhamento audiológico, garantia de três anos e teste domiciliar de 100 dias.
Quem ganha e quem perde
Para os fabricantes tradicionais, a aposta da Fortell é mais uma startup badalada tentando romper um mercado com barreiras regulatórias e de distribuição historicamente altas. Para o consumidor, o produto ainda é caro — mais que o dobro de opções básicas no mercado americano — e não há, até agora, sinal de chegada ao Brasil nem de cobertura por planos de saúde locais. A Fortell também não detalhou quando pretende ficar lucrativa nem se o preço deve cair com escala de produção.