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IACiência20 de out. de 2026, 19:04

Startup usa IA para tentar traduzir a "linguagem elétrica" das plantas

A startup Electric Plant captou US$ 11,2 milhões para desenvolver o Bombadil, modelo de IA treinado em sinais bioelétricos de mais de 100 espécies de plantas. A ciência dos sinais é real; decifrar uma "linguagem" ainda é promessa.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O que já é ciência

Plantas emitem sinais elétricos. Isso não é novidade nem marketing: pesquisas anteriores já registraram, por exemplo, plantas que reagiam de forma mensurável a estímulos de luz guiadas por esses sinais captados em seu caule. É fisiologia vegetal estabelecida, não especulação.

A aposta da startup

Em bom português: a Electric Plant, startup americana recém-saída do modo invisível (stealth), quer ir além de captar o sinal e afirma conseguir interpretá-lo. A empresa levantou uma rodada seed de US$ 11,2 milhões, liderada pelas gestoras de venture capital Onto Ventures e Climactic, para desenvolver sensores e um modelo de inteligência artificial batizado de Bombadil.

Como funciona, na prática

Os sensores, do tamanho de um iPhone dobrado ao meio, são fixados na planta com parafusos de aço inoxidável que penetram o câmbio, a camada de tecido vivo sob a casca. Captam variações elétricas na escala de microvolts e transmitem os dados por uma rede sem fio de baixo consumo até a nuvem, onde o Bombadil faz a leitura.

A escala dos dados

O modelo foi treinado, sem rótulos manuais, em milhões de horas de sinais elétricos registrados em dezenas de espécies de plantas, coletados ao longo de três anos em laboratórios, estufas, pomares comerciais e florestas. Hoje cobre mais de 100 espécies, de samambaias e sequoias a tomateiros e dálias. Os fundadores são Justin Mast, CEO, e Lee von Kraus, neurocientista que já trabalhou com a agência de pesquisa militar americana DARPA.

A promessa, ainda não provada em larga escala

A empresa diz que o sistema consegue indicar em tempo real a necessidade de água, nutrientes e luz de uma plantação, com apenas dois sensores por acre e custo de dezenas de dólares cada, muito abaixo das ferramentas tradicionais, que custam milhares. A projeção divulgada é de aumento de produtividade com redução expressiva no uso de água.

Onde fica o ceticismo

Uma coisa é captar sinal elétrico, fato bem documentado. Outra é afirmar que esse sinal forma uma "linguagem" decifrável com precisão agronômica em campo aberto, fora do controle de laboratório. A startup chama o Bombadil de um dos modelos mais diversos já criados em sinais bioelétricos, mas essa é uma descrição da própria empresa, ainda sem validação independente publicada em escala comercial.

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