tech & talk
Mercado20 de out. de 2026, 19:11

Stellantis pede patente no Brasil para sistema anti-combustível adulterado

A fabricante quer registrar no INPI uma tecnologia que detecta adulteração no tanque, avisa o motorista no painel e manda a localização do posto suspeito direto para a ANP.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

A Stellantis, grupo que controla marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën no Brasil, deu entrada em um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para um sistema capaz de identificar combustível adulterado em tempo real, avisar o motorista pelo painel do carro e mapear a localização exata do posto onde o abastecimento foi feito. Se aprovada, a tecnologia pode valer dinheiro de duas formas: reduzindo prejuízo por manutenção de motor e virando ferramenta de fiscalização para o governo.

Como funciona a tecnologia

Segundo o pedido protocolado pela fabricante, o sistema combina três etapas: detectar a adulteração, informar o motorista no painel do veículo e repassar os dados para a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na prática, isso significa que o próprio carro passaria a funcionar como um fiscal móvel, denunciando automaticamente postos que vendem combustível fora da especificação.

Foto: reprodução/vrum.com.br

O pedido ainda está em análise no INPI, e a Stellantis não confirmou prazo para lançamento comercial nem quais modelos do grupo receberiam o recurso, caso a patente seja concedida.

Quem ganha e quem perde

Foto: reprodução/mecanicaonline.com.br

Quem ganha, na ponta do consumidor, é o motorista que hoje só descobre que abasteceu com combustível adulterado quando o carro já apresenta defeito — muitas vezes com conserto caro de bomba de combustível ou motor. Para a Stellantis, a aposta é se diferenciar em um mercado automotivo brasileiro onde a empresa já lidera o ranking de patentes de invenção depositadas no INPI pelo segundo ano consecutivo, segundo dados do próprio instituto.

Quem perde, em tese, são os postos que lucram com adulteração — um problema que não é pequeno: em uma única operação da ANP em São Paulo, em abril de 2026, foram apreendidos mais de 352 mil litros de gasolina misturada com solvente. Se o sistema vingar e for adotado em escala, ele pode virar dor de cabeça regulatória para toda a cadeia de distribuição de combustíveis, não só para postos isolados.

O que ainda falta

Patente registrada não é produto no mercado. Entre o pedido no INPI e o carro com o sistema de série, normalmente passam anos — e a Stellantis não deu nenhuma garantia de prazo. Mas o movimento mostra que montadoras estão de olho num problema que, até agora, era tratado quase só pela fiscalização estatal.

stellantiscombustível adulteradopatenteinpianp
Compartilhar