
Stoke Space capta US$ 1 bi e mira SpaceX com foguete 100% reutilizável
A Stoke Space fechou a primeira tranche de uma rodada Series E de US$ 1 bilhão, elevando o total captado para US$ 2,3 bilhões, e revelou planos para uma versão maior do foguete Nova capaz de rivalizar com o Falcon 9.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1 bilhão para desafiar a SpaceX
US$ 1 bilhão. Foi esse o valor da primeira tranche da rodada Series E fechada pela Stoke Space, startup americana que desenvolve foguetes totalmente reutilizáveis — booster e segundo estágio voltam inteiros à Terra, diferente do Falcon 9 da SpaceX, que recupera apenas o primeiro estágio. Com o aporte, o total captado pela empresa sobe para US$ 2,3 bilhões, segundo a TechCrunch. A rodada foi liderada por Point72 Ventures e Spark Capital, com participação de General Innovation, Glade Brook Capital, US Innovation Technology, Washington Harbour Partners, Woven Capital e Y Combinator, entre outros.
Múltiplo e comparação que importam
O valuation da Stoke Space gira em torno de US$ 9 bilhões antes do novo aporte — patamar que ainda é uma fração do que a SpaceX já investiu só no programa Starship, mais de US$ 10 bilhões, sem que o foguete tenha alcançado órbita até agora. É essa distância de capital, e não de ambição técnica, que define a disputa: a Stoke aposta em escala progressiva, sem os ativos espaciais internos que dão à SpaceX vantagem competitiva em lançamentos próprios.
Quem ganha: cronograma e produto maior
Segundo apuração da Ars Technica sobre o mesmo evento, a empresa mira o voo de estreia do Nova Pathfinder para o início de 2027, com capacidade de 3 toneladas métricas para órbita baixa. Na sequência, a Stoke revelou o Nova Block 2, versão ampliada com o dobro de motores Zenith no primeiro estágio e 12 motores independentes no estágio superior — o que multiplica por cinco a capacidade de carga, chegando a 15 toneladas métricas, ligeiramente acima do Falcon 9. A meta de operação é 2029, ano em que, segundo Elon Musk, o próprio Falcon 9 começaria a ser aposentado.
O diferencial técnico
A aposta da Stoke está no resfriamento ativo com hidrogênio líquido superresfriado, tecnologia que protege os componentes do foguete durante a reentrada atmosférica e já foi testada extensivamente em solo. Segundo o CEO da empresa, a rodada serve para "escalar a infraestrutura, a produção e a frequência de voos, e, principalmente, financiar o desenvolvimento do veículo de segunda geração". Fundada em 2019 por ex-engenheiros da Blue Origin, a Stoke Space se posiciona como alternativa a quem depende de lançamentos da SpaceX sem operar frota espacial própria — um nicho que, com US$ 2,3 bilhões em caixa, começa a ficar mais concreto.