
Stop Killing Games: por que é tão difícil impedir que publishers matem jogos
Em live da Ars Technica, o criador do movimento Stop Killing Games, Ross Scott, admitiu que barrar publishers de desligar servidores de jogos comprados é mais complicado do que parecia — mesmo com vitórias recentes.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um problema que todo jogador já sentiu na pele
Você compra um jogo, joga por anos, e um dia a publisher simplesmente desliga os servidores. Fim. Foi o que aconteceu com The Crew, da Ubisoft, em 2024, e foi o estopim para o movimento Stop Killing Games, criado por Ross Scott. Em uma live recente da Ars Technica, Scott voltou a explicar o que a campanha quer: obrigar publishers a deixar algum caminho de acesso ao que já foi vendido, mesmo depois que a empresa desliga os servidores centrais.
A conversa passou por como o movimento nasceu, por que tanta gente se importa com preservação de jogos a longo prazo e até que ponto dá para resolver isso via legislação. Também entrou na roda a decisão da Sony de parar de vender PlayStation em mídia física — mais um sinal, segundo a discussão, de que o controle sobre o que compramos está cada vez mais nas mãos das publishers, não dos jogadores.
A machadada da Comissão Europeia
A maior esperança legislativa do movimento até agora era a União Europeia. A petição do Stop Killing Games reuniu mais de 1,3 milhão de assinaturas válidas — número expressivo o suficiente para forçar um debate no Parlamento Europeu em maio. Mesmo assim, a Comissão Europeia decidiu não propor uma lei obrigando publishers a manter jogos funcionais. A justificativa oficial: não dá para impor essa obrigação legal por causa dos direitos de propriedade intelectual dos detentores dos jogos. Em vez de lei, a Comissão prometeu só um código de conduta voluntário até o fim de 2026.
Para quem defende o direito básico de continuar jogando algo que comprou, é difícil não ler isso como as publishers levando a melhor de novo. Ross Scott, no entanto, disse que o movimento vai continuar: a ideia agora é empurrar as exigências para dentro do Digital Fairness Act, outra frente legislativa europeia, e ele afirma que já é possível avançar mesmo sem o aval direto da Comissão. Quarenta e cinco parlamentares europeus já assinaram um pedido de investigação cobrando ação legislativa.
Nos EUA, o jogo ainda está em andamento
Enquanto a Europa esfria, a bola passou para a Califórnia. O Protect Our Games Act (AB 1921) avançou no primeiro estágio no Senado estadual — sinal de que a pressão de consumidores por transparência sobre fim de vida útil de jogos ainda tem fôlego, mesmo que o caminho legal continue lento e incerto.
Nem tudo é derrota
Apesar dos obstáculos, o movimento também comemorou uma vitória concreta: a Ubisoft lançou uma atualização para The Crew 2 trazendo modo offline, garantindo que o jogo continue jogável mesmo se os servidores caírem no futuro. É pequeno perto do estrago causado pelo cancelamento do primeiro The Crew, mas mostra que pressão pública e organização ainda conseguem arrancar concessões de quem, até pouco tempo, tratava isso como problema resolvido só com um comunicado de encerramento de servidor.