Streaming grátis: SuperBox transforma sua internet em proxy de crimes
Pesquisa da Plume mostra que o SuperBox, aparelho de streaming pirata vendido nos EUA, instala software que transforma a conexão doméstica em nó de uma rede de proxy usada em fraudes e roubo de credenciais.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Uma pesquisa da empresa de segurança Plume, divulgada em 31 de agosto, mostrou como aparelhos de streaming baratos viraram porta de entrada para o crime digital. O alvo é o SuperBox, dispositivo Android vendido em grandes varejistas dos Estados Unidos como alternativa gratuita a serviços de streaming pagos.
O aparelho vem com uma loja de aplicativos própria que ignora as checagens de segurança do Android e instala programas com privilégios administrativos totais, sem pedir senha, autenticação ou aprovação do usuário. Um desses aplicativos, o Cyberflix TV, carrega um software oculto chamado Popanet, que registra o dispositivo em servidores remotos e transforma a conexão de internet da casa em um nó de uma rede de proxy residencial: o dono do SuperBox cede parte da própria banda larga para que terceiros façam tráfego passar pela sua conexão, em troca de acesso grátis a filmes e séries piratas.
A Plume monitorou mais de 500 milhões de dispositivos em 40 milhões de domicílios e 450 provedores de internet em 58 países, mapeando mais de 250 servidores de proxy ligados a esse esquema. No tráfego interceptado apareceram credenciais roubadas de plataformas de jogos, códigos de verificação de mensagens usados para sequestrar contas e raspagem automatizada de dados. O mesmo software proxy já havia sido associado à botnet Vo1d.
Quem é afetado
O risco atinge quem comprou ou pretende comprar dispositivos de streaming piratas vendidos como alternativa gratuita à TV paga, incluindo o SuperBox e aparelhos similares. Mesmo quem nunca percebeu lentidão ou comportamento estranho na rede pode estar com a conexão usada por terceiros, já que o software funciona em segundo plano e resiste mesmo atrás de um roteador.
O que fazer agora
- Desconfie de aparelhos vendidos como "liberados" ou com acesso gratuito a canais e filmes pagos.
- Evite instalar aplicativos fora da Google Play Store, especialmente os pré-carregados em caixas de streaming genéricas.
- Se já tem um desses aparelhos em casa, desconecte-o da rede e verifique o consumo de dados e o comportamento do roteador.
- Troque a senha do Wi-Fi e do painel do roteador e mantenha o firmware atualizado.
- Prefira serviços de streaming licenciados: eles não dependem de compartilhar sua conexão com desconhecidos para funcionar.