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Mercado28 de ago. de 2026, 23:27

Suécia: como um país de 10 milhões virou potência de startups na Europa

Sophia Bendz, da Cherry Ventures, conta ao podcast Equity por que Estocolmo consolidou um dos ecossistemas mais quentes do continente. O aporte em startups suecas deve passar de US$ 5 bilhões em 2026.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 5 bilhões é a meta para 2026

A Suécia já captou US$ 2,8 bilhões em financiamento de startups até agosto de 2026 e deve fechar o ano acima de US$ 5 bilhões, segundo Sophia Bendz, general partner da Cherry Ventures, em entrevista ao podcast Equity, do TechCrunch. O número marca recuperação frente aos US$ 3,2 bilhões de 2025, ainda distante do pico de US$ 8,5 bilhões visto em 2021, mas mostra que o capital voltou a fluir para Estocolmo depois do ajuste pós-pandemia.

De onde vem a credibilidade

O país de pouco mais de 10 milhões de habitantes carrega dois cases que abriram porta para investidor internacional: Spotify e Klarna. Segundo dados de mercado, as duas companhias somam mais da metade do valor de mercado dos unicórnios suecos — Klarna avaliada em US$ 14,5 bilhões e Spotify em US$ 13,2 bilhões, puxando fundos como Sequoia, CPP Investments e ValueAct para o radar nórdico.

Quem ganha agora: a nova geração de fundadores

Bendz aponta uma mudança cultural como motor do ciclo atual: empreender virou desejável onde antes carreiras em banco e consultoria dominavam a ambição dos jovens suecos. Ela cita a Legora (inteligência artificial jurídica) e a Lovable (plataforma de "vibe coding") como viveiros da próxima leva de fundadores — segundo ela, quem passou por essas empresas "parece muito inclinado a empreender e abrir a própria companhia".

A própria Lovable ilustra a temperatura do mercado: a startup de Estocolmo saltou de valuation de US$ 6,6 bilhões em dezembro de 2025 para US$ 13,3 bilhões em agosto de 2026, com ARR caminhando para US$ 600 milhões, em rodada com CapitalG, Menlo Ventures e Nvidia.

Quem fica de fora

O risco, segundo o retrato traçado por Bendz, é de concentração: capital e talento gravitam para meia dúzia de nomes badalados em IA, enquanto setores como healthtech e green tech — também citados como frentes suecas — dependem de fundos regionais como EQT e Northzone para não ficar à sombra do hype. Para o investidor de fora, a lição é que replicar Estocolmo exige mais que capital: exige um ciclo de fundadores bem-sucedidos dispostos a reinvestir tempo e dinheiro na geração seguinte.

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