tech & talk
Mercado26 de ago. de 2026, 23:14

Suécia vira fábrica de unicórnios de IA: Lovable dobra valor para US$ 13,3 bi

Estocolmo concentra duas das rodadas mais quentes do ano em IA: a Lovable, de vibe coding, levantou US$ 400 milhões e dobrou de valor em oito meses, enquanto a Legora, de IA jurídica, negocia dobrar sua avaliação para US$ 10 bilhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

US$ 13,3 bilhões em oito meses

O número que resume o momento sueco é esse: US$ 13,3 bilhões. É a nova avaliação da Lovable, plataforma de "vibe coding" de Estocolmo — o usuário escreve o que quer que o aplicativo faça, e a IA constrói. A rodada Série C de US$ 400 milhões, liderada pela Menlo Ventures e pelo Scaleup Europe Fund, dobrou o valor da empresa em apenas oito meses. Desde o lançamento, em novembro de 2024, a Lovable já passou de 60 milhões de projetos criados por usuários e os aplicativos construídos na plataforma somam mais de 900 milhões de visitas por mês. A receita recorrente anual (ARR) está perto de US$ 600 milhões.

Legora: da casa jurídica ao clube dos decacórnios

Se a Lovable é a vitrine, a Legora é o motor silencioso da cena sueca. A startup de IA jurídica levantou uma Série D de US$ 550 milhões em março, avaliada em US$ 5,55 bilhões — depois ampliada com aporte da Nvidia (via NVentures) que elevou a marca para US$ 5,6 bilhões em abril. Agora, segundo o TechFundingNews, a Legora está em conversas para uma nova rodada que pode levar sua avaliação a US$ 10 bilhões. A empresa cresceu de 40 para 400 funcionários e ultrapassou US$ 100 milhões em receita recorrente anual, com alta de 50% no trimestre.

Por que a Suécia, e quem mais está no páreo

Uma cobertura em vídeo do TechCrunch, com a investidora Sophia Bendz, da Cherry Ventures, aponta os fatores por trás do boom: a rede de proteção social sueca, que reduz o risco pessoal de empreender, somada à enxurrada de capital americano migrando para a Europa em busca de múltiplos mais baratos que os do Vale do Silício. A Neko Health, startup de diagnóstico preventivo por imagem, completa o trio de nomes suecos citados como puxadores dessa onda.

Quem ganha e quem perde

Ganham os fundos de VC europeus e americanos que entraram cedo — Menlo, Accel, Bessemer, General Catalyst, Y Combinator e agora Tencent. Ganha Estocolmo, que reforça seu status de segundo maior polo de startups da Europa. Do lado do risco: avaliações que dobram em meses convidam à pergunta sobre sustentabilidade, especialmente num setor com concorrência direta de gigantes como Microsoft (GitHub Copilot) e Cursor.

startupssuécialovablelegoravibe coding
Compartilhar