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Smart Cities08 de set. de 2026, 10:27

Suíça testa trocar Microsoft 365 por pacote livre alemão openDesk

Governo federal suíço iniciou um piloto para substituir o Microsoft 365 pelo openDesk em computadores públicos, com meta de cobrir 3 mil postos de trabalho até 2027. Motivação declarada é reduzir dependência de fornecedor estrangeiro e conter custos de licenciamento.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O piloto que pode tirar a Suíça do Office

O governo federal da Suíça começou a testar, em computadores de repartições públicas, a troca do Microsoft 365 pelo openDesk — pacote de colaboração de código aberto desenvolvido na Alemanha, com editor de texto, planilha, e-mail, calendário, chat e videoconferência. O projeto-piloto, batizado de PoC BOSS, teve os resultados de sua fase de prova de conceito publicados em 3 de setembro, com base nos testes feitos por 172 funcionários federais. Se der certo, a substituição deve avançar para cerca de 3 mil estações de trabalho, algo como 7% da força de trabalho federal, de um total de 54 mil computadores usados pelo governo suíço, com meta de conclusão até o fim de 2027.

Por que trocar um sistema que já funciona

Segundo Matthias Stürmer, professor da Universidade de Ciências Aplicadas de Berna ouvido pela imprensa internacional, a Suíça tem três motivos para abandonar o pacote da Microsoft: reduzir o risco de exposição de dados a um país estrangeiro (no caso, os Estados Unidos, já que a Microsoft é americana), diminuir a dependência tecnológica de um único fornecedor e conter o crescimento dos custos de licenciamento, que sobem sem que o governo suíço tenha poder de negociação. É a mesma lógica por trás de outras iniciativas europeias de migração para softwares abertos — e que agora ganha respaldo legal na Suíça: desde 2024, a lei EMBAG obriga agências federais do país a publicar como código aberto o software desenvolvido pelo próprio governo.

Quem testou, o que funcionou e quanto custou

Nos testes com os 172 funcionários, tarefas comuns de escritório — como edição de documentos e uso de e-mail — tiveram avaliação positiva, mas videoconferências em maior escala ainda mostraram limitações técnicas, segundo veículos internacionais que tiveram acesso ao relatório. A Chancelaria Federal já reservou CHF 9 milhões para expandir o piloto aos 3 mil postos de trabalho. As Forças Armadas suíças, aliás, não esperaram o resultado do piloto civil: a unidade de ciberdefesa do país pretende concluir a troca completa para o openDesk já em outubro deste ano.

O que ainda falta responder

Para quem paga a conta — o contribuinte suíço —, ficam perguntas que a cobertura disponível até agora não responde por completo: quem vai auditar o desempenho e a segurança do openDesk quando ele virar rotina de milhares de servidores públicos? Os CHF 9 milhões cobrem só a fase piloto ou também a migração de todos os 54 mil computadores federais, caso o teste seja aprovado? E o que acontece se a videoconferência, apontada como ponto fraco, não evoluir a tempo da meta de 2027? Migrações desse porte tendem a ser mais lentas e mais caras do que o anunciado na largada — vale acompanhar se a Suíça vai fugir dessa regra.

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