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Games29 de set. de 2026, 10:57

Super Mario Galaxy descompilado por fãs ganha port nativo para PC

A comunidade Luma's Workshop terminou de descompilar Super Mario Galaxy por inteiro e anunciou o AstroCore, port nativo do clássico de Wii para PC. O projeto promete rodar sem emulação e sem usar assets originais da Nintendo — mas isso não afasta o risco de complicação judicial.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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O clássico de Wii ganhou vida nova em C++

Domingo (27/09) foi dia de festa pra quem ama preservação de games. A Luma's Workshop — comunidade de modding dedicada a projetos de descompilação de jogos da Nintendo — anunciou em vídeo no canal Super Hackio, no YouTube, que terminou de descompilar 100% do código de Super Mario Galaxy, o clássico de Wii de 2007. O resultado prático disso é um port nativo batizado de AstroCore, que deve levar o jogo ao PC sem depender de emulação.

Na prática, descompilar significa pegar o binário original — aquele amontoado de 0s e 1s que só o console entende — e traduzir de volta para código C++ legível, praticamente reconstruindo o jogo do zero a partir da lógica original. É trabalho braçal, demorado, e os próprios devs fizeram questão de frisar que tudo foi feito "sem IA generativa ou vibe coding", só na unha mesmo, por gente que entende do assunto.

Foto: reprodução/thegamer.com

Por que isso importa pro jogador

Se você é da geração que rodou Super Mario Galaxy só no Wii original ou emulado com uma performance capenga, o AstroCore é a promessa de finalmente jogar o clássico rodando liso, aproveitando mouse, teclado, resoluções modernas e o hardware que você já tem em casa. É a mesma lógica que já vimos em Super Mario 64, que ganhou port em 4K feito por fãs em 2020, e que também moveu recompilações de jogos como Super Smash Bros. Melee. A comunidade de preservação de games não é hobby de nicho: é gente disposta a trabalhar de graça pra manter clássicos jogáveis em hardware atual, muitas vezes fazendo o trabalho que a própria fabricante não quer fazer.

E o processinho, afinal?

Aqui mora o perigo. A Nintendo tem histórico bem documentado de sair na Justiça contra projetos de fãs, emuladores e recompilações — foi assim com o Dolphin, com o Yuzu e com vários outros ao longo dos anos. O detalhe que pode blindar (ou não) o AstroCore é que o projeto não usa nenhum asset original nem código proprietário da Nintendo — só a lógica reconstruída via engenharia reversa. No site oficial do projeto, os próprios desenvolvedores já deixam o aviso pronto: "Mario, Luigi e todos os personagens e imagens relacionados pertencem à Nintendo" e o site "não é afiliado nem endossado" pela empresa.

Isso ajuda, mas não garante nada. Dado o histórico da Nintendo, é bem provável que advogados apareçam batendo na porta cedo ou tarde — só que, sem código ou assets roubados, o caso fica mais escorregadio para a empresa. Enquanto isso, a Luma's Workshop já disse que, depois de organizar a casa, o próximo alvo é Super Mario Galaxy 2. Vale acompanhar de perto: histórias assim raramente têm final tranquilo quando a Nintendo entra em cena.

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