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Smart Cities12 de ago. de 2026, 11:11

SUS muda de endereço digital: dados vão para nuvem soberana do Serpro

Ministério da Saúde e Serpro começam a migrar dados do SUS para uma nuvem nacional, com contrato inicial de R$ 18 milhões. A pergunta que fica: quem audita os mais de 5 bilhões de registros de saúde dos brasileiros?

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Seus dados de saúde estão trocando de casa

Enquanto você espera a próxima consulta pelo aplicativo do SUS Digital, seus dados de saúde estão trocando de casa. O Ministério da Saúde e o Serpro iniciaram, em 11 de agosto, a migração de sistemas e dados do SUS para uma nuvem soberana nacional — ou seja, servidores em território brasileiro, sob jurisdição e legislação brasileiras. Contrato inicial: R$ 18 milhões.

Como cidadã que depende do SUS, a primeira pergunta é óbvia: por que meus dados não estavam em nuvem nacional antes? A resposta incomoda um pouco. Parte da infraestrutura de saúde pública brasileira convivia com provedores estrangeiros, e a promessa agora é reverter isso. Segundo o presidente do Serpro, Wilton Mota, o Brasil passa a administrar o próprio ambiente de dados de saúde em nuvem — uma afirmação forte, que vale a pena cobrar com fatos daqui a um ano.

Foto: reprodução/convergenciadigital.com.br

O que está migrando, e para onde

A primeira frente de trabalho envolve o CadSUS (Cadastro Nacional de Usuários do SUS) e a RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde), que hoje reúne mais de 5 bilhões de registros. É gente, é prontuário, é histórico de vacinação, é exame. Dado sensível de verdade, dos que a LGPD trata com regras mais rígidas. O Serpro entra oferecendo infraestrutura, arquitetura, consultoria técnica e conectividade — mas a governança, segundo o ministro Alexandre Padilha, passa a ser "casa própria": dados de saúde da população sob controle público, não mais terceirizados a nuvens estrangeiras sem as mesmas garantias de auditoria.

Quanto custou e quem fiscaliza

R$ 18 milhões é o valor da fase inicial — o pedaço mais visível, mas dificilmente o único. Não há, até agora, cronograma público detalhado nem estimativa de custo total do projeto, que seguirá em fases: depois do CadSUS e da RNDS vem o que a secretária Ana Estella Hadad chama de "repatriação digital", migrando o restante das bases de saúde. Fica a lição de outras iniciativas de governo digital: contrato inicial pequeno, expansão silenciosa depois, sem que o cidadão saiba quanto o Estado gastou no total nem quem audita o processo linha a linha.

Segurança não é frase de efeito

O Serpro promete criptografia, autenticação multifator, controle de acesso, monitoramento e plano de recuperação de desastres — item crítico quando se fala em dado de saúde, que a própria secretaria reconhece não poder "ficar offline". Falta detalhar publicamente auditorias independentes e prazos de conclusão. Migração de nuvem em infraestrutura crítica é projeto de anos, não de um anúncio de terça-feira. Vale acompanhar se a promessa de soberania digital do SUS vem com transparência de custos e prestação de contas — ou só com boas intenções.

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