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Ciência01 de set. de 2026, 11:20

Swift: NASA reativa 2 de 3 telescópios em corrida contra reentrada

Após o fracasso parcial de uma missão comercial de resgate, a NASA voltou a operar dois dos três instrumentos do observatório espacial Swift, lançado em 2004, e tenta extrair o máximo de ciência antes que a sonda caia de forma descontrolada na atmosfera terrestre.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Mais de duas décadas em órbita, e o relógio correndo

Lançado em 2004, o Observatório Espacial Neil Gehrels Swift já soma mais de 20 anos de operação — muito além do que se espera da maioria das missões astronômicas desse porte. Agora, a NASA está numa corrida contra o tempo: a agência conseguiu reativar dois dos três telescópios do observatório e quer aproveitar ao máximo a janela científica que resta antes que a sonda se torne, segundo o Canaltech, oficialmente "sem salvação".

O que foi confirmado

De acordo com a NASA Science (blog oficial da missão Swift) e o Canaltech, dois instrumentos voltaram a funcionar em 26 de agosto de 2026: o telescópio ultravioleta/óptico (UV/Optical Telescope) e o telescópio de raios X (X-ray Telescope, XRT). O terceiro equipamento, o Burst Alert Telescope (BAT), segue desligado, mas a equipe da missão afirma estar trabalhando para reativá-lo nas próximas semanas.

A reativação veio depois do fracasso de uma manobra de resgate orbital conduzida pela empresa Katalyst Space Technologies, contratada pela NASA por US$ 30 milhões para impulsionar o Swift a uma órbita mais alta. A espaçonave da Katalyst, batizada LINK, lançada em julho de 2026 por um foguete Pegasus XL da Northrop Grumman, sofreu falhas no sistema de controle de atitude — perdendo o controle de rodas de reação e parte de seus propulsores a gás frio — o que a fez girar sem controle. O combustível que seria usado para impulsionar o Swift acabou sendo consumido para estabilizar a própria LINK, inviabilizando o reforço orbital.

Com isso, a NASA e a Katalyst decidiram que a LINK ainda fará uma aproximação e manobras de proximidade com o Swift, mas sem capturá-lo ou empurrá-lo para uma órbita mais segura — um teste de tecnologias de manutenção orbital, não mais um resgate.

O que é risco e projeção futura

Segundo a própria equipe da missão, citada pela NASA Science, o Swift deve descer abaixo de 300 quilômetros de altitude dentro de um a dois meses a partir de 28 de agosto de 2026 — patamar considerado crítico para a operação segura do observatório. Não há, até o momento, uma data oficial confirmada para o encerramento definitivo da missão: trata-se de uma projeção de risco, não de um prazo fechado.

Por que isso importa

Enquanto durar a janela operacional, cientistas de todo o mundo seguem usando o Swift para observar fenômenos transitórios do universo, como explosões de raios gama e remanescentes de supernova — a própria equipe da missão divulgou, em 26 de agosto, uma nova imagem do remanescente da supernova de Tycho capturada pelo telescópio de raios X recém-reativado. É esse tipo de dado que a NASA tenta multiplicar antes que a missão, hoje sustentada além de sua vida útil original, chegue ao fim.

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