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Ciência20 de set. de 2026, 18:01

T. rex regulava a temperatura do corpo quase como um elefante

Um estudo com isótopos em dentes fósseis calculou 36,3°C de temperatura corporal para o T. rex — bem mais próximo de mamíferos grandes do que de répteis atuais.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: 36,3°C

É quase a mesma temperatura corporal de um elefante — 36°C no indiano, 36,2°C no africano. Só que o número não veio de um animal vivo: veio de três dentes fossilizados de Tyrannosaurus rex, encontrados na Formação Hell Creek, no Condado de Carter, em Montana (EUA), datados do fim do Cretáceo.

O que foi medido, de fato

Uma equipe liderada por pesquisadores da UCLA, com colaboração da University College London, usou uma técnica chamada paleotermometria de isótopos agrupados: ela mede a frequência com que átomos de carbono-13 e oxigênio-18 se ligam entre si dentro do esmalte dentário, ligação que depende diretamente da temperatura no momento em que o mineral se formou no corpo do animal. O resultado — publicado em 16 de setembro na revista científica Science Advances — foi 36,3°C, com margem de erro de 2,5°C. Para efeito de comparação, crocodilos modernos, que são répteis de sangue frio (ectotérmicos), giram em torno de 30,9°C. O T. rex, portanto, rodava mais quente que os répteis atuais mais próximos dele.

O que ainda é hipótese

A temperatura medida é um dado direto do esmalte fóssil. Já a conclusão de que isso prova "sangue quente" no sentido de mamíferos é interpretação, não medição. Os autores discutem se o calor vem de uma regulação térmica ativa (endotermia, como em aves e mamíferos) ou simplesmente da inércia térmica de um corpo enorme, que perde calor devagar mesmo sem regular a própria temperatura — fenômeno chamado gigantotermia. O T. rex é, do ponto de vista evolutivo, mais próximo das aves do que dos répteis atuais, o que reforça a hipótese de endotermia parcial, mas os próprios pesquisadores tratam isso como um espectro, não uma resposta fechada — o animal ficava mais quente que um crocodilo, mas ainda mais frio que uma ave.

Por que isso não é só curiosidade

Depois de mais de dez anos refinando a técnica — hoje é possível fazer a análise com apenas 5 miligramas de esmalte por dente, uma fração do que era necessário antes —, o método abre caminho para medir a fisiologia de outros dinossauros extintos com a mesma precisão, sem depender só de comparações anatômicas indiretas.

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