
Tab S12 Ultra pode subir R$ 1.200 com crise global da memória
O novo tablet top de linha da Samsung deve ficar até €200 mais caro por causa da escalada nos preços de DRAM e NAND, puxada pela demanda de data centers de IA. O consumidor final é quem fecha essa conta.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: até €200 a mais no bolso
O Galaxy Tab S12 Ultra, próximo tablet top de linha da Samsung, pode sair até €200 mais caro do que a geração anterior — cerca de R$ 1.200 na conversão direta. Segundo o Canaltech, os valores rumorados variam de €1.539 a €1.889 dependendo da configuração de armazenamento (256 GB ou 512 GB) e conectividade (Wi-Fi ou 5G). O aparelho deve vir com processador Dimensity 9500, 12 GB de RAM, tela de 14,6 polegadas em resolução 1.848 x 2.960 pixels e Android 17.
O motivo do reajuste não está na engenharia do produto, mas na cadeia de fornecimento de memória.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Por que a conta sobe: IA consumindo a fábrica inteira
Samsung, SK Hynix e Micron controlam juntas 93% da produção global de DRAM, segundo levantamento do Olhar Digital. O problema é que uma fatia gigante dessa capacidade já não vai para celular, tablet ou notebook: 40% da produção global de DRAM das duas primeiras foi comprometida com um único projeto de infraestrutura de IA ligado à OpenAI. Quando quatro em cada dez chips de memória do planeta são reservados para data center, sobra menos — e mais caro — para todo o resto.
O resultado aparece nos números de mercado. Desde outubro de 2025, os preços de contrato de DRAM e NAND flash subiram de forma acentuada, com a NAND avançando entre 20% e mais de 60% só em novembro. Módulos DDR5 triplicaram ou quadruplicaram de preço desde setembro, e há relatos de altas de até 234% em kits de 32 GB na comparação com novembro do ano passado. A IDC estima um acréscimo médio de US$ 9 por celular em 2026 só por causa da memória; em aparelhos premium com 12 GB de RAM, o incremento de custo do componente pode chegar a US$ 40.
Quem ganha, quem perde
Quem ganha é óbvio: os três fabricantes de memória, que saem de anos de margem apertada para um ciclo de preços recorde puxado pela corrida de IA — e cuja prioridade agora é atender hyperscalers, não fabricantes de eletrônico de consumo. Quem perde é a ponta final da cadeia. Fabricantes de smartphone, notebook, console e tablet — a Samsung incluída, competindo consigo mesma nas duas pontas do negócio — repassam o custo extra de componente para o preço de tabela. Analistas do setor já projetam que a escassez deve se estender até 2027, com novas fábricas de SK Hynix e Micron programadas só para aquele ano.
Na prática, o Tab S12 Ultra é só a vitrine mais recente de um fenômeno que vai aparecer em qualquer eletrônico com memória dentro — e a IA generativa, que promete revolucionar produtividade, está literalmente encarecendo o hardware que a maioria das pessoas usa para acessá-la.