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Mercado04 de set. de 2026, 08:55

Tarifa de 100% sobre drones de Trump assusta bombeiros e policiais dos EUA

A nova taxa mira drones pesados e com câmera térmica, em geral fabricados pela chinesa DJI, mas críticos dizem que vai encarecer equipamentos usados por corporações de segurança pública para buscas e combate a incêndios.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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O que muda na tarifa

O governo dos Estados Unidos passou a cobrar, a partir de 3 de setembro, tarifa de 100% sobre drones que pesem mais de 24,9 kg ou tenham câmera de imagem térmica, e de 25% sobre modelos menores. A medida, anunciada pela Casa Branca como resposta a uma investigação do Departamento de Comércio americano que classificou a dependência de drones estrangeiros como "ameaça à segurança nacional", tem como alvo principal a DJI, fabricante chinesa sediada em Shenzhen que responde por mais de 70% dos drones comerciais vendidos no mundo.

Quem vai sentir o aumento

A taxa afeta diretamente corporações de segurança pública que dependem de drones térmicos para localizar pessoas desaparecidas, monitorar incêndios florestais e rastrear suspeitos — tarefas em que equipamentos maiores e com sensores térmicos, justamente os mais taxados, são mais usados. Scott Mlakar, chefe da Lake County Drone Unit, equipe de bombeiros e policiais que opera drones nos arredores de Cleveland, classificou a tarifa como "financeiramente onerosa" e criticou a justificativa oficial: "This is not national security. It's protectionism" (isso não é segurança nacional. É protecionismo), disse, atribuindo a medida a pressão de fabricantes americanos para eliminar a concorrência estrangeira.

A outra visão: segurança de cadeia de suprimentos

Nem todos veem a tarifa como exagero. Jack Burnham, analista sênior do programa voltado à China da Foundation for Defense of Democracies, think tank americano de política externa, defendeu a medida como forma de proteger cadeias de suprimento tecnológicas: "These new tariffs can ensure that the United States effectively secures its technology supply chains and combats Beijing's efforts to dominate the global drone market" (essas novas tarifas podem garantir que os Estados Unidos protejam efetivamente suas cadeias de suprimento tecnológicas e combatam os esforços de Pequim para dominar o mercado global de drones).

O gargalo da produção nacional

O ponto central da crítica de agências de segurança pública é prático: fabricantes americanos, segundo os críticos, ainda não têm capacidade de produção suficiente para substituir os modelos chineses no curto prazo. Isso deixa corporações que já usam drones importados — muitas delas com orçamentos apertados de prefeituras e departamentos locais — diante de duas opções ruins: pagar o dobro pelo equipamento importado ou esperar por alternativas nacionais que ainda não estão disponíveis em escala.

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