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Mercado01 de set. de 2026, 11:21

Taxa de US$ 100 mil no H-1B: a brecha que o Brasil pode aproveitar

Entre a taxa de US$ 100 mil sobre o H-1B, uma loteria mais seletiva e vistos de estudante mais curtos, os EUA endureceram a imigração de talentos de tecnologia — e abriram uma janela para o Brasil competir por engenheiros com salário em dólar remoto.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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A conta de US$ 100 mil que virou pauta nos tribunais

Cem mil dólares. É esse o valor da taxa que Washington cobra desde setembro de 2025 de empresas que contratam estrangeiros via visto H-1B fora dos EUA. O tiro saiu pela culatra: em 8 de junho de 2026, um juiz federal de Massachusetts, Leo Sorokin, derrubou a cobrança por inconstitucionalidade. A Casa Branca recorreu, e em 24 de julho o Tribunal de Apelações do Primeiro Circuito recusou-se a suspender a taxa enquanto o mérito não é julgado — na prática, o valor segue exigível, mas sob risco jurídico permanente.

Três medidas, uma só direção

Foto: reprodução/reason.com

O H-1B virou símbolo de uma guinada migratória que empilhou, em pouco mais de um ano, três medidas restritivas: a taxa bilionária, uma nova loteria de vistos anunciada em dezembro de 2025 que passou a favorecer cargos mais bem remunerados, e a extinção, em 17 de julho de 2026, do "duration of status" para vistos F-1, J-1 e M, agora com teto fixo de quatro anos.

Quem perde com o endurecimento

Quem paga a conta, segundo o Federal Reserve Bank de Richmond, são os próprios americanos: uma redução permanente de 10% na imigração qualificada pode custar US$ 2,9 bilhões por ano ao bem-estar da população nativa. China e Índia, que respondem por 73% das petições H-1B, sentem o baque mais direto. O Brasil também está na lista: no último ano completo de dados, o país teve 2.641 petições aprovadas, a nona posição no ranking de origem de talentos para os EUA.

A brecha para o Brasil

É aqui que mora a oportunidade. Com o custo de contratação nos EUA disparado e vistos mais curtos e seletivos, engenheiros e cientistas de dados brasileiros passam a enxergar alternativas fora do Vale do Silício. Empresas locais ganham argumento de peso: startups brasileiras podem competir por esse talento com salário em dólar remoto, sem o pedágio de US$ 100 mil por cabeça. Emirados Árabes Unidos, com vistos processados em menos de uma semana, já disputam essa migração de cérebros — mas o Brasil, com fuso horário favorável aos EUA e base de engenharia consolidada, tem cacife para entrar na disputa. A taxa de US$ 100 mil expira em 20 de setembro de 2026, salvo renovação.

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