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Smart Cities15 de set. de 2026, 15:50

Táxi aéreo elétrico começa a voar de verdade no Texas — e chega rede de recarga

A Joby Aviation fez voos de demonstração em Dallas-Fort Worth e a Archer Aviation anunciou uma rede de recarga para eVTOLs em quatro regiões do Texas, com meta de 250 pontos nos EUA em dez anos.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Do papel para o céu de Dallas

Depois de anos de renderização bonita e promessa de "mobilidade do futuro", o táxi aéreo elétrico começou a voar de fato em cima de gente. No dia 10 de setembro, a Joby Aviation, startup americana de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), iniciou uma semana de voos de demonstração na região de Dallas-Fort Worth, saindo de Arlington e do campus da Toyota em Plano, com destino incluindo o aeroporto internacional Dallas Fort Worth e o Perot Field Fort Worth Alliance Airport. É parte do eIPP, programa da FAA (a Anac americana) para colher dados operacionais antes de liberar regras de segurança para voos comerciais em escala.

A Toyota não está ali por acaso: já investiu cerca de US$ 900 milhões na Joby e vai fornecer o trem de força das aeronaves. A empresa também fechou parceria com a Atoms para construir "vertiports" — os pontos de pouso e decolagem — na Flórida, em Nova York e no Texas.

Foto: reprodução/securities.io

E quem vai carregar essa frota?

No mesmo dia, a Archer Aviation, outra startup americana do setor, anunciou algo mais estrutural: uma rede de recarga para eVTOLs cobrindo o norte do Texas, Houston, Austin, San Antonio e áreas rurais do estado. A empreitada é um consórcio com a Beta Technologies e o fundo Macquarie Capital, e a ambição declarada é grande — 250 pontos de recarga nos principais aeroportos e regiões metropolitanas dos Estados Unidos ao longo dos próximos dez anos.

O fundador e CEO da Joby, JoeBen Bevirt, resumiu o momento: "isso é só o começo do que o Texas e a Joby podem construir juntos." Frase de efeito à parte, o setor mira começar voos comerciais limitados ainda neste fim de ano — e o Texas virou o principal laboratório real dessa corrida nos EUA.

Antes de sonhar com um aqui no Brasil

Vale fazer a pergunta que qualquer usuário de transporte público faria: quem vai poder pagar por isso primeiro? Historicamente, projetos de mobilidade aérea urbana nascem premium — voo executivo, não substituto do ônibus lotado. E toda essa infraestrutura de recarga e vertiport tem custo bilionário que, em algum momento, aparece na conta de quem usa ou nos incentivos públicos que atraem a empresa para a cidade. Nos EUA, o processo está amarrado a um programa federal de teste com prazos e dados públicos de segurança; aqui no Brasil, onde a Anac ainda discute a regulamentação de eVTOLs e projetos como os da Eve (subsidiária da Embraer) seguem em fase de testes, a experiência texana serve de termômetro do que vem por aí — e do tanto de escrutínio regulatório que vai ser necessário antes de qualquer aeronave dessas sobrevoar uma cidade brasileira com passageiros pagantes.

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