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Mercado16 de ago. de 2026, 22:45

Táxi aéreo elétrico vira negócio de defesa: Archer e Joby fecham bilhões

Em uma semana, Archer comprou a Wisk Aero da Boeing e a Joby adquiriu a Resonant Sciences por US$ 500 milhões, ampliando aposta em contratos militares.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

US$ 500 milhões. Foi o valor que a Joby Aviation pagou pela Resonant Sciences, empresa de defesa de Dayton (Ohio) especializada em radiofrequência e sensoriamento, com acesso a programas classificados do governo americano. O acordo, fechado em US$ 450 milhões em dinheiro e US$ 50 milhões em ações, formaliza a criação da divisão Joby Defense — mesmo enquanto a empresa segue no meio do processo de certificação de suas aeronaves elétricas de decolagem vertical (eVTOL) para uso civil.

A outra ponta do negócio

Foto: reprodução/techcrunch.com

Um dia antes, no mesmo pacote de notícias reunido pela newsletter TechCrunch Mobility, a Archer Aviation anunciou a compra da Wisk Aero — além da SkyGrid, software de gestão de espaço aéreo, e da Insitu, fabricante de drones —, todas subsidiárias da Boeing. Em troca, a Boeing fica com cerca de 16,5% de participação acionária na Archer, se compromete a investir até US$ 55 milhões na próxima rodada da empresa e ganha assento no conselho. A Insitu sozinha soma receita anual acima de US$ 200 milhões, com operações em 35 países — um negócio de defesa bem mais maduro do que o núcleo de táxi aéreo da Archer.

O detalhe histórico que dá tempero ao acordo: a Wisk havia processado a Archer em 2021 por suposto roubo de propriedade intelectual, litígio resolvido em acordo dois anos depois. Ex-rivais na Justiça, hoje sócios.

Quem ganha, quem perde

Ambas as negociações têm fechamento previsto ainda sujeito a aprovações regulatórias — Archer/Wisk até o fim de 2026, Joby/Resonant no primeiro semestre de 2027. O padrão é o mesmo nos dois casos: empresas de eVTOL que ainda não têm receita relevante com transporte urbano de passageiros — o produto que originalmente venderam a investidores — usam aquisições bilionárias para comprar receita e contratos já maduros no setor de defesa.

Quem ganha no curto prazo é o caixa dessas empresas, robustecido por negócios de defesa recorrentes enquanto a certificação civil não sai do papel. Resta saber se o mercado de táxi aéreo urbano — a promessa original que sustentou os IPOs de Archer e Joby — ainda é a prioridade real das duas companhias, ou se virou plano B.

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