
Teclado da Google Japão usa esteiras para levar as teclas até seu dedo
O Gboard Kurukuru Version tem 116 teclas em quatro esteiras verticais e permite digitar com uma mão só — mas o projeto é experimental e só sai como código aberto.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A especificação: 116 teclas, zero teclado fixo
Esqueça a ideia de fileiras de teclas paradas esperando o dedo chegar. No Gboard Kurukuru Version, são as teclas que se movem até o dedo. O time japonês do Gboard, braço de teclados experimentais do Google, montou o protótipo com quatro esteiras verticais de 29 teclas cada — 116 no total, 15 a mais que um teclado padrão de 101 teclas, porque aqui letra maiúscula e minúscula ganham tecla própria em vez de dividir espaço com Shift.
Como é digitar nisso, na prática
A mão fica praticamente imóvel. As colunas de teclas giram em velocidade constante, tipo esteira de sushi, e o usuário aperta o caractere no exato instante em que ele passa por baixo do dedo. Na teoria, dá pra escrever um texto inteiro usando só uma mão — ou até um dedo só —, o que libera a outra mão pro mouse ou pra qualquer outra tarefa. É o tipo de solução que soa absurda até lembrar que microondas e teclado numérico também pareciam over-engineering até alguém precisar deles com uma mão ocupada.
Mais um capítulo de uma tradição de 15 anos
O lançamento não é aleatório: 1º de outubro é o Dia do Teclado no calendário informal do Gboard, trocadilho com o "10/1" que remete ao teclado de 101 teclas. Desde 2010, quando saiu o primeiro protótipo bizarro — um teclado com tambor —, a equipe solta uma versão nova nessa data todo ano. Esta é a 15ª edição da série.
Comparado com as gerações anteriores — e o que falta responder
Frente a excentricidades anteriores da série, o Kurukuru Version é mais ambicioso em escopo: não é só uma piada de design, é uma tentativa real de acessibilidade para quem tem uso limitado de uma das mãos. Só que o Google deixou claro que não vai vender o aparelho. Em vez disso, publicou os arquivos do projeto como código aberto, pra quem tiver paciência, peças e um pouco de sangue frio pra tentar montar o próprio.
Isso significa que a pergunta de sempre — "vale o preço no Brasil?" — nem se aplica aqui: não tem preço, porque não tem venda. O que fica é a pergunta que o Google não respondeu: se a tecnologia funciona bem o suficiente pra ajudar quem realmente precisa de digitação com uma mão só, por que ela continua restrita a protótipo de vitrine?