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Ciência20 de set. de 2026, 18:01

Teclistamab elimina marcadores do câncer em 77,8% de pacientes com mieloma latente

Ensaio de fase 2 do Dana-Farber Cancer Institute mostra que o anticorpo biespecífico teclistamab induziu resposta completa em quase 8 a cada 10 pacientes com mieloma múltiplo latente de alto risco, condição que pode evoluir para câncer ativo.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine descobrir, num exame de rotina, que seu sangue já carrega os sinais de um câncer que ainda não existe — mas que pode aparecer. É essa a realidade de quem tem mieloma múltiplo latente (smoldering) de alto risco, condição que antecede o mieloma múltiplo ativo. Um estudo de fase 2 mostrou que um único medicamento eliminou os marcadores da doença em 77,8% desses pacientes.

O que já está confirmado

O ensaio clínico ImmunoPRISM, randomizado e de fase 2, testou o teclistamab — anticorpo biespecífico vendido sob a marca Tecvayli pela farmacêutica Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson — em 59 pacientes com mieloma latente de alto risco. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Medicine e conduzidos por pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute, centro de pesquisa oncológica americano, sob liderança dos médicos Omar Nadeem e Irene Ghobrial.

Dos 59 participantes, 45 receberam teclistamab e 14 foram tratados com a combinação lenalidomida e dexametasona, usada como grupo de comparação. O resultado: 77,8% dos pacientes do grupo teclistamab atingiram resposta completa, ou seja, os marcadores do câncer desapareceram dos exames. No grupo de comparação, nenhum paciente chegou a esse nível de resposta.

Outro dado do ensaio: entre os pacientes avaliáveis, 82% dos tratados com teclistamab ficaram com doença residual mínima negativa, também contra zero no grupo de comparação. Com acompanhamento médio de 24,5 meses, a sobrevida livre de progressão em dois anos foi de 92% com teclistamab, ante 49% no braço de comparação.

O que ainda é hipótese e próximo passo

O teclistamab já é aprovado para mieloma múltiplo ativo e recidivado, mas seu uso na fase latente ainda é experimental — não há aprovação regulatória para essa indicação. A pergunta que os próprios autores deixam em aberto é se eliminar marcadores da doença nessa fase inicial de fato impede ou atrasa a evolução para o câncer ativo a longo prazo, algo que só estudos de acompanhamento mais longos poderão confirmar.

O tratamento precoce de condições pré-cancerosas é uma fronteira crescente da oncologia, mas cada caso exige avaliação de risco-benefício individual, já que nem todo mieloma latente evolui para a doença ativa.

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