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Ciência06 de out. de 2026, 21:36

Técnica elétrica japonesa detecta sinais de vida extraterrestre com 80% de precisão

Pesquisadores da Universidade de Osaka criaram um sistema elétrico que usa nanofios de ouro e IA para identificar aminoácidos ligados à vida, com mais de 80% de precisão. A técnica foi testada em um meteorito e em solo do deserto do Atacama.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Uma corrente elétrica do tamanho de um átomo

Pra escala humana: a abertura entre os dois fios de ouro usados nesse experimento mede menos de um nanômetro — cerca de 100 mil vezes mais fina que um fio de cabelo. É por essa fenda minúscula que pesquisadores da Universidade de Osaka, uma das principais universidades de pesquisa do Japão, fizeram passar moléculas de aminoácidos para testar uma nova forma de caçar vida fora da Terra.

O que está confirmado

Foto: reprodução/phys.org

O estudo, liderado por Takahito Oshiro e publicado na revista científica Nature Communications, descreve um sistema que usa tunelamento quântico — a passagem de elétrons por uma barreira que, pela física clássica, eles não deveriam conseguir atravessar — para gerar uma corrente elétrica cada vez que uma molécula passa pela abertura nanométrica. Cada forma de aminoácido altera o padrão dessa corrente de um jeito único, e um algoritmo de inteligência artificial aprendeu a reconhecer essas assinaturas.

O resultado confirmado em laboratório: mais de 80% de precisão para distinguir as versões "esquerda" (L) e "direita" (D) de uma mesma molécula de aminoácido — a chamada quiralidade. Na Terra, a vida usa quase exclusivamente aminoácidos na forma L, o que torna esse desequilíbrio um dos sinais mais confiáveis de que uma amostra tem origem biológica, e não apenas química.

A equipe testou o método em fragmentos do meteorito Murchison, uma das rochas espaciais mais estudadas pela ciência por conter compostos orgânicos antigos, e em solo do deserto do Atacama, no Chile — ambiente usado como análogo de Marte por sua aridez extrema. Os resultados bateram com os obtidos por técnicas tradicionais de laboratório, mas em um aparelho muito menor e mais simples de embarcar em uma sonda.

O que ainda é hipótese

O artigo não testou o sistema em condições reais de uma missão espacial, nem em amostras coletadas fora da Terra. Os próprios autores apontam a tecnologia como "candidata" para futuras missões a Marte e a luas geladas como Europa e Encélado — não como equipamento já aprovado para embarcar em um foguete. Resta saber se o sistema resiste à radiação, ao vácuo e às variações extremas de temperatura do espaço, e se os mais de 80% de precisão se sustentam fora do controle de um laboratório.

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