
Técnico do 49ers diz que Tesla estava no Autopilot em acidente de carro
Kyle Shanahan, técnico do San Francisco 49ers, revelou que o Autopilot da Tesla estava ativado quando bateu seu carro em julho. Ele havia dito antes que a culpa era só sua.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Acidente aconteceu há quatro semanas em Palo Alto
Kyle Shanahan, técnico do San Francisco 49ers, bateu o carro em 14 de julho, perto de Palo Alto, na Califórnia. O Tesla Model S dele colidiu com um Mercedes depois de invadir a pista contrária.
Shanahan sofreu concussão, três costelas quebradas, a mão esquerda fraturada, o nariz quebrado e um corte no rosto que levou 40 pontos. No fim do mês passado, ele já havia se reunido com jornalistas para dizer que a culpa do acidente foi dele, não do motorista de 21 anos do outro carro.
Na coletiva mais recente, a revelação
O que Shanahan não tinha contado até então: o Autopilot estava ligado no momento da batida. Ele contou que ia a cerca de 20 km/h quando o celular caiu no banco de trás. Confiou no sistema para tirar os olhos da pista e tentar pegar o aparelho.
A partir daí, diz não saber ao certo o que houve — se o Autopilot falhou ou se ele mesmo desativou o sistema sem perceber ao se mexer no carro. Usa a função há nove anos e se diz "bastante confortável" com ela.
Mesmo assim, não tirou o time de campo da Tesla. "Não importa, a culpa é sempre sua, esteja no autopilot ou não. Tirar os olhos da estrada, isso é uma parceria — você não simplesmente entrega o carro para um computador", disse.
Quem é Shanahan: comanda o 49ers desde 2017, um dos times mais tradicionais da NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos. Está na 10ª temporada como técnico principal, com duas finais de Super Bowl perdidas para o Kansas City Chiefs. Ele já está recuperado e deve comandar o time na próxima quinta-feira, contra o Tennessee.
Autopilot sob escrutínio
A Tesla não se manifestou publicamente sobre o caso, segundo o levantamento das fontes consultadas. O episódio reacende o debate sobre a segurança dos sistemas de assistência ao motorista da montadora.
A Tesla reportou à NHTSA, agência reguladora de trânsito dos Estados Unidos, um recorde de 207 acidentes envolvendo Autopilot e FSD em um único mês recente — mais do que a soma de todo o ano de 2021. A empresa também está sob investigação por redigir quase todos os detalhes desses relatos, alegando sigilo comercial.
Desde 2016, a NHTSA já abriu mais de três dezenas de investigações especiais sobre os sistemas semiautônomos da Tesla. Uma delas, iniciada em outubro de 2024 e escalada em março deste ano, apura acidentes do FSD em condições de baixa visibilidade.