tech & talk
Games26 de set. de 2026, 16:38

Tecnologia ajuda pessoas com deficiência por meio dos videogames

AbleGamers Brasil desenvolve controles adaptados para promover a inclusão social de pessoas com deficiência por meio dos videogames.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

Compartilhar

Quando o controle é a barreira, não o jogo

Tem uma conta que não fecha: mais de 14 milhões de pessoas no Brasil convivem, todo dia, com algum tipo de falta de acessibilidade. Para boa parte desse grupo, o joystick padrão — pensado para mãos, dedos e reflexos de um único perfil de jogador — já é a primeira barreira antes mesmo de a partida começar. É exatamente essa conta que a AbleGamers Brasil tenta resolver, um controle adaptado de cada vez.

A organização é a representação brasileira da AbleGamers, entidade fundada nos Estados Unidos, e chegou ao país oficialmente em 2021 como a primeira instituição nacional dedicada exclusivamente à acessibilidade de pessoas com deficiência nos games — embora o trabalho, ainda como ação voluntária, tenha começado alguns anos antes. À frente do projeto está Christian Bernauer, diretor-presidente da AbleGamers Brasil.

Controle sob medida, não produto de prateleira

O carro-chefe da atuação é a produção e doação de controles adaptados, personalizados de acordo com a limitação motora de cada pessoa, o tipo de deficiência, o jogo preferido e até a plataforma usada. Não existe solução única: o mesmo jogo pode pedir soluções completamente diferentes dependendo de quem está do outro lado da tela. Somando-se a isso, a organização mantém o programa de formação APX (Accessible Player Experience), voltado a ensinar desenvolvedores a projetar jogos mais acessíveis desde a concepção — e não como remendo posterior.

Por que isso importa para quem joga

O resultado prático aparece em números: somente em 2025, a AbleGamers Brasil entregou ou disponibilizou em atendimentos mais de 80 controles adaptados, com a meta de superar essa marca em 2026. Para a comunidade gamer, o recado é direto — acessibilidade não é feature de nicho, é o que decide se alguém consegue ou não sentar para jogar. Cada controle adaptado entregue é, na prática, uma pessoa que deixa de ficar de fora da conversa sobre o próximo lançamento, da fila do multiplayer ou da sessão com os amigos. Em um mercado que fatura bilhões, é o tipo de trabalho que raramente aparece nos holofotes, mas que muda a experiência de quem mais precisava dela.

acessibilidadeablegamers brasilinclusãocontroles adaptadosgames
Compartilhar