
Teenage Engineering vai parar de fazer sintetizadores, incluindo o OP-1
Jesper Kouthoofd, CEO e fundador da empresa, disse à Highsnobiety que a decisão foi tomada durante uma reorganização interna e inclui o fim do icônico OP-1. Para ele, a marca é maior do que seus instrumentos musicais.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O fim de uma era para a Teenage Engineering
A Teenage Engineering, empresa sueca de design e sintetizadores que criou o OP-1, vai parar de fabricar instrumentos musicais eletrônicos. A informação é do fundador e CEO Jesper Kouthoofd, em entrevista à Highsnobiety. Segundo ele, a decisão foi comunicada à equipe durante uma reorganização interna no outono passado.
O detalhe que dói para quem acompanha a marca há mais tempo: o OP-1 não é exceção. O sintetizador-sampler lançado em 2011, que colocou a Teenage Engineering no mapa internacional com seu design de brinquedo sério e tela OLED minúscula, está no pacote de produtos que vão sair de linha. Não existe, por ora, um prazo de descontinuação anunciado, e os produtos atuais continuam disponíveis para compra.
Foto: reprodução/highsnobiety.com
"Os produtos não são o negócio"
A frase de Kouthoofd resume o raciocínio: "Os produtos não são o negócio. Podemos ser muito mais do que isso." Na prática, ele parece enxergar a empresa não como fabricante de sintetizadores que precisa lançar um instrumento novo todo ano, mas como um estúdio de design que, eventualmente, também fez instrumentos musicais.
Foto: reprodução/happymag.tv
Essa lógica já aparece no catálogo recente da marca, que foge cada vez mais do universo estritamente musical. A Teenage Engineering assinou a linha Frekvens de speakers e iluminação com a IKEA, o console portátil Playdate em parceria com a Panic, os fones ear (1) da Nothing e o design do assistente de IA Rabbit r1.
O que isso significa pra quem usa OP-1 hoje
Para quem comprou um OP-1 ou um OP-1 Field pensando nele como ferramenta de longo prazo, a notícia é desconfortável. O valor de revenda de unidades do OP-1 original já era alto por conta da raridade; um anúncio de fim de linha tende a inflar ainda mais esse mercado paralelo.
No Brasil, o OP-1 Field nunca foi um produto popular — o preço em dólar, somado a impostos de importação, sempre o colocou na categoria de item de nicho para produtores e colecionadores. Com o fim da linha de sintetizadores confirmado pelo próprio fundador, a pergunta não é mais "vale o preço aqui?", e sim quanto tempo o estoque remanescente ainda vai durar nas lojas especializadas.