
Telescópio da Nasa do tamanho de uma van cai à Terra nesta semana
Depois de 22 anos em órbita, o Neil Gehrels Swift Observatory vai reentrar na atmosfera sem controle nesta terça-feira. A Nasa diz que o risco para quem está na Terra é baixo, mas o horário e o local exatos da queda continuam sendo só estimativa.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: imagina uma van de carga, cheia de equipamento científico, caindo do céu a 17 mil milhas por hora. É mais ou menos esse o tamanho do problema (ou da falta de problema, como a Nasa insiste) que a atmosfera terrestre vai engolir nos próximos dias.
O que é certo
O Neil Gehrels Swift Observatory, telescópio da Nasa lançado em 20 de novembro de 2004 para estudar explosões de raios gama e seu brilho residual em raios X, ultravioleta e luz visível, está prestes a reentrar na atmosfera depois de mais de duas décadas de operação — bem além dos dois anos de vida útil para os quais foi originalmente projetado.
Os números aqui são sólidos, confirmados pela própria Nasa e por outras fontes: a espaçonave tem massa de lançamento de cerca de 1.470 kg (3.240 lb, em torno de 1,5 tonelada). A agência desativou oficialmente as operações do Swift em 23 de outubro de 2026, depois que sua altitude caiu abaixo de 300 km em 9 de outubro. A causa é conhecida: o aumento da atividade solar expandiu a atmosfera terrestre, elevando o arrasto atmosférico e empurrando o satélite pra baixo mês após mês.
A Nasa tentou evitar essa queda. Em 3 de julho de 2026, uma missão robótica foi lançada para tentar elevar a órbita do Swift, mas em 19 de agosto a agência confirmou que a tentativa de resgate não deu certo — e a reentrada descontrolada se tornou inevitável.
O que é estimativa
Aqui começa a parte imprevisível. A Nasa projeta a reentrada para a madrugada de 4 de novembro de 2026, por volta das 3h30 no horário do leste americano, mas com margem de erro de 11 horas pra cada lado — e outras organizações que calculam esse tipo de evento chegam a horários um pouco diferentes. O local também é só uma faixa possível: qualquer ponto entre 20,6° de latitude sul e 20,6° de latitude norte, ou seja, uma porção enorme do planeta perto do equador, que inclui parte do Brasil.
A maior parte da estrutura deve se desintegrar com o calor da reentrada, mas a Nasa estima que ao menos 100 kg de componentes podem sobreviver até o solo ou o oceano. Mesmo assim, a agência calcula que o risco de algum fragmento ferir alguém é de 1 em 2.100 — um número baixo, mas não zero, e que reforça por que reentradas descontroladas como essa são sempre tratadas com esse misto de "provavelmente nada vai acontecer" e "mas vamos monitorar de qualquer forma".