
Telescópio da Nasa que vai mapear 1 bilhão de galáxias tem participação do Brasil
O Nancy Grace Roman, telescópio da Nasa que decola neste domingo, vai gerar tanto dado que vai depender de um sistema de IA brasileiro para separar o que interessa. O CBPF assina o software.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
O Hubble enxerga uma fatia do céu do tamanho de uma moeda vista a 100 metros de distância. O Roman Space Telescope, que a Nasa lança na manhã de domingo (30), tem o mesmo espelho de 2,4 metros do Hubble, mas um campo de visão 100 vezes maior — o equivalente a fotografar uma folha de papel inteira, não um recorte dela.
O que está confirmado
O lançamento está marcado para 7h26 (horário local, 8h26 em Brasília) de 30 de agosto, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, saindo do Complexo 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O telescópio vai se instalar no ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 milhão de km da Terra, e cumprir uma missão de cinco anos varrendo 5 mil graus quadrados do céu — 12% de tudo que é visível.
Nesse período, a Nasa estima observar mais de 1 bilhão de galáxias e detectar mais de 100 mil novos exoplanetas, além de medir distâncias cósmicas via supernovas do tipo Ia — dado central para entender a energia escura.
Foto: reprodução/science.nasa.gov
A parte brasileira
Esse volume de dado é grande demais pra revisão manual. É aí que entra o Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro. Sob coordenação científica de Clécio Roque De Bom, o laboratório construiu o Arandu, sistema que usa IA pra filtrar e classificar eventos astronômicos transitórios — supernovas, colisões de estrelas de nêutrons, o que muda de brilho ou posição — dentro do fluxo contínuo de imagens do telescópio.
Na prática, o Arandu decide o que merece atenção de um astrônomo humano antes que o dado se perca no volume.
O que ainda é hipótese
A detecção de 100 mil exoplanetas e o mapeamento de energia escura são objetivos da missão, não resultados — dependem de cinco anos de operação sem falhas e de o software de triagem funcionar como projetado. A Nasa não detalhou publicamente que fatia do orçamento da missão coube ao software brasileiro.
Fica em aberto até que ponto o Arandu vai ser adotado como padrão em futuras missões de imageamento, ou se vai seguir restrito ao Roman.
Atualização (30/08, 09:39): ## Lançamento confirmado com sucesso
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, foi lançado com sucesso neste domingo (30), às 8h26 (horário de Brasília), a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O telescópio se separou do foguete cerca de 30 minutos após a decolagem, e os dois propulsores laterais do Falcon Heavy retornaram e pousaram verticalmente na Terra.
Após o lançamento, o observatório seguiu rumo ao Ponto de Lagrange 2 (L2), região de estabilidade gravitacional localizada a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde também opera o Telescópio Espacial James Webb. Nas próximas semanas, a NASA fará a fase de comissionamento dos sistemas do telescópio, seguida de meses de testes até o início das observações científicas.
Atualização (30/08, 15:42): Atualização (30/08/2026): as primeiras imagens científicas de alta definição do Telescópio Roman devem chegar apenas no início de 2027. Antes disso, o equipamento passa por uma fase de ativação e calibração de instrumentos — etapa em que a equipe de engenharia já capta imagens técnicas para checar foco e precisão das câmeras, mas que ainda não conta como observação científica.
O cronograma prevê cerca de 30 dias de viagem até o ponto de observação em L2, a 1,6 milhão de quilômetros da Terra, seguidos de um período de comissionamento de aproximadamente três meses dedicado à calibração dos instrumentos, antes do início oficial das operações científicas.
Atualização (30/08, 15:42): Atualização (30/08/2026): em coletiva de imprensa após o lançamento, o administrador da NASA, Jared Isaacman, classificou o Roman como "exatamente o tipo de história de sucesso que queremos ver em toda a NASA", destacando que o projeto — fruto de quase duas décadas de planejamento — foi entregue antes do prazo e dentro do orçamento previsto.
Nicky Fox, administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da agência, descreveu o telescópio como "uma máquina de descobertas" capaz de aproximar a humanidade de respostas a perguntas científicas profundas, citando o amplo campo de visão do equipamento como diferencial na busca por sinais de vida fora do Sistema Solar. Já a cientista sênior do projeto, Julie McEnery, comentou o cronograma dos próximos meses: "não há como prever o que mais saberemos e teremos visto até o ano que vem" — referência à fase de calibração dos instrumentos, que deve durar cerca de três meses antes do início das observações científicas regulares.
Atualização (31/08, 12:52): Atualização (31/08/2026): O telescópio espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, lançou de fato no dia 30 de agosto de 2026, às 7h26 (horário EDT), a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, decolando do Launch Complex 39A, no Kennedy Space Center, na Flórida. O observatório se separou do segundo estágio do foguete cerca de dez minutos após o lançamento, dando início a uma jornada de aproximadamente três meses e cerca de 1 milhão de milhas até alcançar sua órbita final, no ponto de Lagrange L2.
O Roman é o mais recente integrante da série de "grandes observatórios" da Nasa, iniciada pelo Hubble. Seu instrumento de campo amplo consegue capturar uma área do céu mais de 100 vezes maior que a do Hubble em uma única observação, mantendo qualidade de imagem comparável — ao longo de sua vida útil, o telescópio deve mapear centenas de milhões de estrelas e até bilhões de galáxias. A missão vai ajudar cientistas a investigar matéria escura, energia escura e a busca por exoplanetas.
Atualização (07/10, 15:56): Atualização: a NASA já definiu um cronograma para as primeiras imagens do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman. Após o lançamento, a sonda segue em viagem de cerca de três meses até o ponto L2, a aproximadamente 1,6 milhão de km da Terra, onde entrará em órbita. Durante esse período, batizado de fase de comissionamento, engenheiros calibram os instrumentos e realizam testes técnicos — em 11 de setembro, por exemplo, o Wide Field Instrument (WFI), a câmera de 300 megapixels do telescópio, foi ativado pela primeira vez.
Imagens técnicas, usadas apenas para verificar foco e precisão dos instrumentos, já devem surgir ao longo desses testes iniciais. Mas as primeiras imagens científicas de alta definição, divulgadas ao público e à comunidade científica, só devem chegar no início de 2027, depois que todos os sistemas forem validados. As operações científicas regulares têm início previsto para janeiro de 2027.
Atualização (07/10, 15:56): Atualização: em coletiva realizada após o lançamento, o administrador da NASA, Jared Isaacman, classificou a missão como um marco para a agência: "Roman é exatamente o tipo de história de sucesso que queremos ver em toda a NASA", disse, destacando que o telescópio foi entregue antes do prazo e dentro do orçamento previsto.
Nicky Fox, administradora associada da Diretoria de Missões Científicas da NASA, detalhou as próximas etapas da missão: a abertura da antena de comunicação de alta capacidade do telescópio, a ativação da proteção móvel dos instrumentos e o teste do coronógrafo, equipamento responsável por bloquear a luz das estrelas para permitir a observação de exoplanetas. Essas ativações fazem parte dos primeiros três meses de calibração dos instrumentos antes do início das operações científicas.