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Ciência30 de ago. de 2026, 01:43

Telescópio da Nasa que vai mapear 1 bilhão de galáxias tem participação do Brasil

O Nancy Grace Roman, telescópio da Nasa que decola neste domingo, vai gerar tanto dado que vai depender de um sistema de IA brasileiro para separar o que interessa. O CBPF assina o software.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

O Hubble enxerga uma fatia do céu do tamanho de uma moeda vista a 100 metros de distância. O Roman Space Telescope, que a Nasa lança na manhã de domingo (30), tem o mesmo espelho de 2,4 metros do Hubble, mas um campo de visão 100 vezes maior — o equivalente a fotografar uma folha de papel inteira, não um recorte dela.

O que está confirmado

O lançamento está marcado para 7h26 (horário local, 8h26 em Brasília) de 30 de agosto, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, saindo do Complexo 39A, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O telescópio vai se instalar no ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 milhão de km da Terra, e cumprir uma missão de cinco anos varrendo 5 mil graus quadrados do céu — 12% de tudo que é visível.

Nesse período, a Nasa estima observar mais de 1 bilhão de galáxias e detectar mais de 100 mil novos exoplanetas, além de medir distâncias cósmicas via supernovas do tipo Ia — dado central para entender a energia escura.

Foto: reprodução/science.nasa.gov

A parte brasileira

Esse volume de dado é grande demais pra revisão manual. É aí que entra o Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro. Sob coordenação científica de Clécio Roque De Bom, o laboratório construiu o Arandu, sistema que usa IA pra filtrar e classificar eventos astronômicos transitórios — supernovas, colisões de estrelas de nêutrons, o que muda de brilho ou posição — dentro do fluxo contínuo de imagens do telescópio.

Na prática, o Arandu decide o que merece atenção de um astrônomo humano antes que o dado se perca no volume.

O que ainda é hipótese

A detecção de 100 mil exoplanetas e o mapeamento de energia escura são objetivos da missão, não resultados — dependem de cinco anos de operação sem falhas e de o software de triagem funcionar como projetado. A Nasa não detalhou publicamente que fatia do orçamento da missão coube ao software brasileiro.

Fica em aberto até que ponto o Arandu vai ser adotado como padrão em futuras missões de imageamento, ou se vai seguir restrito ao Roman.

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