
Telescópio de raios X quase dobra catálogo com 2 milhões de fontes
Novo catálogo do eROSITA mapeia quase 2 milhões de fontes de raios X, entre buracos negros supermassivos e aglomerados de galáxias, ajudando a rastrear a matéria escura.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: quase 2 milhões de novos pontos no mapa do céu
O consórcio alemão eROSITA, liderado pelo Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, divulgou seu segundo grande catálogo público (DR2) de fontes de raios X — quase 2 milhões de objetos catalogados, praticamente o dobro do levantamento anterior do mesmo instrumento.
O que está confirmado
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Dos quase 2 milhões de registros, mais de 1,9 milhão são fontes pontuais: majoritariamente buracos negros supermassivos em atividade de acreção em galáxias distantes — cerca de 88% do total são de origem extragaláctica — além de estrelas da própria Via Láctea. Outras 64 mil fontes são classificadas como objetos extensos: aglomerados de galáxias, galáxias próximas e remanescentes de explosões de supernovas. Os dados vêm dos três primeiros levantamentos completos do céu feitos pelo instrumento (eRASS1 a eRASS3), somando 556 dias de observação, cobrindo metade do céu. As astrônomas Miriam Ramos-Ceja e Mara Salvato lideram, respectivamente, a publicação do catálogo e o grupo de acompanhamento do eROSITA.
Por que isso ajuda a entender o "universo oculto"
Aglomerados de galáxias funcionam como traçadores da influência da matéria escura e da energia escura na formação das maiores estruturas do cosmos — por isso o apelido de "universo oculto" para esse tipo de mapeamento. Cruzar os dados de raios X com observações em infravermelho e luz óptica ajuda a classificar a natureza de cada fonte e sua posição no espaço, permitindo investigar como buracos negros supermassivos crescem ao longo do tempo e como galáxias evoluem.
O que falta responder
O eROSITA encerrou suas observações em 2022, e o próximo catálogo (DR3) só está previsto para 2028 — ou seja, a comunidade científica vai processar e explorar esses quase 2 milhões de fontes por anos antes do próximo salto de dados. Também não há, neste catálogo, uma resposta fechada sobre quanto da matéria escura prevista pelos modelos cosmológicos os aglomerados agora mapeados conseguem, de fato, confirmar — esse cruzamento ainda depende de análises futuras.