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Ciência16 de set. de 2026, 15:17

Telescópio Roman pode ficar 22 anos no espaço, o dobro do previsto pela NASA

Cálculos de combustível divulgados pela NASA indicam que o telescópio Nancy Grace Roman tem gás suficiente para até 22 anos de observações, mais que o dobro dos 10 anos planejados originalmente. O número, porém, é uma estimativa — não uma garantia de missão.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine planejar uma viagem de carro para durar 10 anos rodando e descobrir, ainda na garagem, que o tanque tem gasolina para rodar o dobro disso. É mais ou menos o que aconteceu com o telescópio espacial Nancy Grace Roman, da NASA, batizado em homenagem à primeira cientista-chefe de astronomia da agência, apelidada de "mãe do Hubble".

O que é fato confirmado

O Roman foi lançado em 30 de agosto e passou por sua primeira correção de trajetória em 31 de agosto, a caminho do ponto de observação L2, onde deve entrar em órbita no início de dezembro. Segundo a NASA, essa manobra consumiu apenas 18 kg de propelente, muito abaixo dos 200 kg estimados originalmente — um resultado com mais de 99% de precisão.

Somado a isso, o telescópio decolou mais leve do que o previsto em 2015 (quando o projeto calculava 107 kg de propelente dentro de um total de 4.166 kg de massa), o que permitiu à equipe de engenharia completar os tanques até a capacidade máxima. Jamie Dunn, diretor do Goddard Space Flight Center, afirmou que, "como resultado do planejamento excepcional", o Roman tem combustível para pelo menos 22 anos. Alison Rao, responsável pela propulsão da missão, explicou que a menor massa da espaçonave permitiu abastecer os tanques até o limite. Esses dados de consumo e sobra de combustível são fatos concretos, medidos nas primeiras semanas de voo.

O que ainda é expectativa

Os 22 anos são uma estimativa baseada no combustível disponível, não uma promessa de missão. A previsão oficial da NASA continua sendo de 5 anos de missão principal mais 5 de extensão — total de 10 anos. Os 12 anos extras de observações dependem de que o consumo de propelente nas manutenções orbitais periódicas (queimas a cada cerca de 28 dias) continue dentro do esperado, sem imprevistos técnicos ao longo de mais de duas décadas de operação.

Há ainda outra camada de expectativa: o Roman foi projetado para ser reabastecível no espaço, diferente do telescópio James Webb. Mas a tecnologia de serviço robótico capaz de realizar esse reabastecimento no distante ponto L2 ainda não existe e precisaria ser desenvolvida pela NASA — o que significa que essa capacidade, hoje, é uma possibilidade de projeto, não uma operação garantida.

Por que isso importa

Com espelho de 2,4 metros e lançado por um foguete Falcon Heavy da SpaceX, o Roman foi projetado para mapear o cosmos em escala ampla, complementando o trabalho mais focado do Webb. Se a folga de combustível se confirmar na prática ao longo dos anos, a NASA ganha um observatório capaz de acompanhar duas décadas de mudanças no universo — de energia escura a exoplanetas — sem custo adicional de lançamento.

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