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Ciência27 de out. de 2026, 12:38

Telescópio Swift da NASA vai cair na Terra após 20 anos de uso

Missão de resgate falhou e o observatório, que ajudou a identificar mais de 1.400 supernovas, deve reentrar na atmosfera nas próximas semanas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Mais de 20 anos no espaço é tempo suficiente pra um satélite virar parte da rotina científica de uma geração inteira de astrônomos. Foi o caso do Neil Gehrels Swift Observatory, lançado em novembro de 2004 e batizado em 2018 em homenagem ao astrofísico Neil Gehrels. Ao longo da missão, o telescópio observou mais de 2 mil explosões de raios gama, ajudou a estudar mais de 1.400 supernovas e serviu de base para cerca de 7 mil artigos científicos publicados.

O que é confirmado: a NASA encerrou oficialmente as operações científicas do Swift depois que uma missão de resgate falhou em elevar sua órbita. A espaçonave de resgate, chamada LINK, foi construída e operada pela Katalyst Space Technologies, startup americana especializada em manutenção e resgate orbital, sob contrato fechado em setembro de 2025. A LINK foi lançada em julho de 2026, tentou a aproximação, mas reentrou na atmosfera já em 25 de setembro de 2026 — ou seja, a própria tentativa de resgate não sobreviveu. A última observação científica do Swift aconteceu em 20 de outubro de 2026, quando o satélite já orbitava a menos de 275 km de altitude. A tentativa de resgate custou cerca de US$ 30 milhões.

O que é estimativa, não fato consumado: a data exata da queda. A NASA só fala em "próximas semanas", sem data fixa — reentradas não controladas desse tipo de objeto são difíceis de prever com precisão até poucos dias antes.

Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA, resumiu o papel da missão: "Durante esse período, o Swift teve papel importante no avanço da nossa compreensão de um Universo em transformação."

Vale separar alarme de risco real: segundo especialistas consultados por veículos internacionais, reentradas não controladas de satélites desse porte são comuns, e o histórico de ferimentos causados por destroços desse tipo é essencialmente nulo. O que resta do Swift deve se desintegrar majoritariamente ao entrar na atmosfera, como ocorre na maioria dos casos parecidos.

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