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Ciência30 de ago. de 2026, 01:40

Tempestade solar de nível G2 deve atingir a Terra nas próximas horas

A NOAA estendeu até este sábado (29/08) um alerta de tempestade geomagnética moderada (G2), provocada por ejeções de massa coronal e um fluxo de vento solar vindo de um buraco coronal. O fenômeno pode afetar rádio HF, redes elétricas em altas latitudes e produzir auroras fora do normal.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: a explosão que está prestes a chacoalhar o campo magnético da Terra aconteceu no Sol três dias atrás, em 25 de agosto, e viajou dezenas de milhões de quilômetros até chegar aqui. Chama-se ejeção de massa coronal (EMC) — uma nuvem de plasma e campo magnético cuspida pelo Sol — e, segundo o Space Weather Prediction Center (SWPC), da NOAA, o efeito no campo magnético da Terra deve se estender até este sábado (29/08).

O que está confirmado

Foto: reprodução/watchers.news

O ponto de partida é verificável: uma explosão solar classificada como M6.9 (escala que vai de A a X, sendo X a mais forte) partiu da região ativa AR4513, próxima ao centro do disco solar visível, às 10h02 UTC de 25 de agosto. Ela chegou a causar um apagão de rádio de nível moderado (R2) no lado da Terra que estava voltado para o Sol naquele momento. Uma segunda explosão, menor (C4.7), também lançou material em direção ao nosso planeta.

Com base nisso, a NOAA emitiu alertas progressivos: um watch G1 (menor) para 27 de agosto, ligado à chegada de um fluxo de vento solar de alta velocidade vindo de um buraco coronal — região do Sol com plasma menos denso —, e um watch G2 (moderado) para 28 de agosto, referente à chegada das EMCs. Depois, o alerta G2 foi estendido também para este sábado. A escala de tempestades geomagnéticas da NOAA vai de G1 a G5, sendo G5 o nível extremo.

O que é hipótese

Aqui entra a parte de "pode acontecer, mas não é garantido". Em nível G2, a própria NOAA lista como possíveis: alarmes de tensão em sistemas de energia de altas latitudes, degradação fraca a moderada na propagação de rádio em alta frequência (HF) — usada, por exemplo, em comunicação de aviação —, pequenas irregularidades de orientação em satélites e aumento do arrasto atmosférico em órbitas baixas. Nenhum desses efeitos é certeza; são cenários associados historicamente a esse nível de tempestade, não previsões pontuais para este evento específico.

O efeito mais visível ao público, caso a intensidade se confirme, são auroras em latitudes mais baixas que o habitual — nos Estados Unidos, a expectativa foi de visibilidade em estados do norte, como Montana, Dakota do Norte e partes de Nova York e Washington. No Brasil, a chance de ver qualquer coisa a olho nu é praticamente nula: esses fenômenos dependem de proximidade dos polos magnéticos.

Por que isso não é motivo de pânico

Tempestades G2 são consideradas moderadas e não são raras — ocorrem repetidamente ao longo de um ciclo solar. Não há, nas fontes oficiais consultadas, indicação de risco a pessoas, a aviões em voo ou à internet como um todo. O que existe é monitoramento de rotina por operadoras de energia e de satélites, prática padrão sempre que o SWPC emite um watch geomagnético.

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