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Ciência22 de set. de 2026, 09:54

Temporada de derretimento do gelo do Ártico para de aumentar, mostra NASA

Estudo liderado pela NASA com dados de satélite entre 1979 e 2023 mostra que a temporada de derretimento do gelo marinho ártico parou de se alongar desde 2010, após décadas de avanço contínuo.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine um relógio que, por três décadas seguidas, foi sendo puxado para tocar cada vez mais tarde — e que, de repente, parou de atrasar. É mais ou menos isso que aconteceu com a temporada de derretimento do gelo marinho do Ártico: segundo um estudo liderado pela NASA, agência espacial norte-americana, ela hoje dura cerca de 40 dias a mais do que em 1979, mas essa expansão parou de crescer a partir de 2010.

A pesquisa, publicada na revista científica Communications Earth & Environment, analisou observações de satélite coletadas entre 1979 e 2023 — mais de quatro décadas de dados sobre quando o gelo começa a derreter na primavera do Hemisfério Norte e quando volta a congelar no outono.

O que é confirmado

Os dados mostram que a maior parte do alongamento da temporada de derretimento aconteceu antes de 2010. De lá para cá, a duração média tem se mantido relativamente estável, ainda que com grandes oscilações de um ano para o outro. O estudo aponta que essa mudança de padrão ocorreu principalmente porque o congelamento passou a começar mais tarde no outono — e não porque o degelo da primavera esteja mais precoce.

A explicação, segundo Linette Boisvert, cientista do gelo do Goddard Space Flight Center, centro de pesquisa da NASA em Maryland, e coautora do estudo, está na própria natureza do gelo restante: "agora que o gelo é mais fino e há menos dele, existe muito mais variabilidade". Nos anos 2000, a redução da cobertura de gelo expôs mais água do oceano, mais escura e capaz de absorver mais radiação solar — o que atrasa o novo congelamento. Depois de 2010, mudanças nos padrões de nuvens também passaram a reduzir a quantidade de radiação solar que chega a algumas regiões árticas.

O que ainda é hipótese — e o que não mudou

Os autores fazem questão de separar esse achado de uma ideia de que o aquecimento parou: o Ártico continua esquentando a quase quatro vezes a velocidade da média global, e o gelo remanescente é significativamente mais fino do que era décadas atrás. Blocos de gelo mais espessos ainda resistem ao norte da Groenlândia e no Arquipélago Ártico Canadense, mas os pesquisadores alertam que essa estabilização pode ser temporária: um novo afinamento do gelo poderia disparar uma nova aceleração no alongamento da temporada de derretimento.

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