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Ciência15 de set. de 2026, 15:50

Temporada de furacões de 2026 é a mais calma em quase dois séculos no Atlântico

Pra escala humana: é preciso voltar a 1941 para achar um índice de atividade de furacões tão baixo quanto o de 2026 no Atlântico. Cientistas apontam o El Niño como principal responsável — mas isso não significa que o risco de prejuízo tenha ido embora.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine um termômetro de atividade de furacões que soma força e duração de cada tempestade do ano. Esse termômetro tem um nome técnico, ACE (Accumulated Cyclone Energy, ou energia ciclônica acumulada), e por volta da metade de setembro ele costuma marcar 58,2 pontos numa temporada média no Atlântico. Em 2026, marcou apenas 4,4. É como se o termostato do verão mais quente já registrado estivesse, na prática, batendo recorde de frio.

O que é confirmado

Segundo a Ars Technica, o valor de ACE de 4,4 registrado até meados de setembro é o mais baixo desde 1941 — ano que teve só seis tempestades, mas algumas mais violentas do que qualquer uma vista até agora em 2026. Isso significa que a atual temporada é a mais tranquila em cerca de 85 anos de comparação direta, e a mais fraca desde o início de registros razoavelmente completos, em 1950.

Há ainda uma chance de 20% de que 2026 não ultrapasse os 17,4 pontos de ACE registrados em 1982 e se torne a temporada mais fraca já registrada, historicamente.

O que é hipótese (mas bem sustentada)

A principal explicação científica levantada é o El Niño, fenômeno climático que aquece as águas do Pacífico e tende a aumentar o cisalhamento do vento no Atlântico. Na prática, esse cisalhamento funciona como uma tesoura: corta as tempestades em formação antes que consigam se organizar, ou enfraquece as que já se formaram. Um El Niño mais intenso, portanto, tende a produzir temporadas mais fracas — e é apontado como o maior contribuinte para o comportamento atípico de 2026.

O preço de uma temporada calma

Poucos furacões não significa necessariamente poucos prejuízos. Basta uma única tempestade forte tocar terra numa região densamente ocupada para gerar dezenas de bilhões de dólares em perdas seguradas — como já vem acontecendo em temporadas recentes, com médias de cerca de US$ 30 bilhões em perdas por ano para seguradoras. Nas últimas décadas, a população em condados costeiros dos Estados Unidos cresceu mais de 40 milhões de pessoas, o que aumenta a exposição financeira mesmo em anos mais tranquilos.

O que ainda falta saber

Os pesquisadores ainda não fecham questão sobre quanto dessa quietude é resultado direto do El Niño e quanto pode estar ligado a outros fatores climáticos de fundo. Também não é possível prever, neste momento, se a temporada vai de fato bater o recorde histórico de 1982 antes de seu encerramento oficial.

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