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Ciência11 de ago. de 2026, 11:14

Terremotos fortes estão mais frequentes? Sismólogo da USP explica

Após o sismo de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia, sismólogo da USP explica por que a sensação de mais terremotos fortes não é confirmada pelos números globais.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Um tremor que sacudiu meio continente

Na manhã de 10 de agosto, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o departamento de Chocó, na Colômbia, próximo a San José del Palmar, a cerca de 100 km de profundidade. É o sismo mais forte registrado no país em uma década. Cidades como Cali, Manizales, Pereira e Quibdó tiveram danos estruturais, o governo colombiano decretou estado de desastre nacional e o abalo foi sentido em países vizinhos, incluindo o norte do Brasil. Balanços preliminares apontam mais de 130 mortos e cerca de 570 feridos.

O episódio ocorre poucas semanas depois de outros terremotos de grande magnitude na Venezuela e no México, reacendendo uma pergunta recorrente: os terremotos fortes estão ficando mais frequentes?

Foto: reprodução/correiobraziliense.com.br

O que diz o sismólogo

Procurado pelo Olhar Digital News, o sismólogo José Alexandre Nogueira, do Centro de Sismologia da USP, foi direto ao apontar a estatística de referência: o planeta registra, em média, cerca de 20 terremotos de magnitude igual ou superior a 7 por ano. Segundo ele, a ocorrência de vários sismos de alta magnitude em um intervalo curto de tempo — como os casos recentes na América Latina — "é estatisticamente normal", já que esses eventos costumam ter origem em movimentos distintos de placas tectônicas e, via de regra, não têm relação causal entre si.

Confirmado x hipótese

O que é confirmado: dados de serviços geológicos internacionais, como o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), mostram uma média histórica estável de cerca de 15 a 16 terremotos acima de magnitude 7 por ano, com um evento de magnitude 8 ou mais a cada 12 meses. Essa média oscila bastante ano a ano — em 2010 foram 23 sismos de magnitude 7+, enquanto em 1989 houve apenas 6 —, o que caracteriza variação natural, não tendência de alta.

O que é hipótese descartada pelos especialistas: a ideia de um aumento contínuo na frequência de terremotos fortes. Segundo os registros geológicos mundiais, não há evidência estatística desse crescimento. A sensação de que os tremores estão mais frequentes é atribuída a três fatores concretos: sensores sísmicos mais numerosos e sensíveis ao redor do globo, disseminação quase instantânea de notícias pela internet e redes sociais, e o crescimento populacional em áreas urbanas, que aumenta o número de pessoas expostas aos efeitos de cada sismo.

Por que a América Latina concentra risco

Países como México, Chile, Peru e a própria Colômbia ficam em zonas de subducção de placas tectônicas — no caso mexicano, a placa de Cocos; no caso andino, a placa de Nazca contra a Sul-Americana —, o que os torna naturalmente mais sujeitos a sismos de grande magnitude. Já o Brasil, situado no interior estável da placa Sul-Americana, tem atividade sísmica residual e não costuma registrar terremotos dessa escala.

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