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Mercado23 de out. de 2026, 10:12

Tesla lucra 43% menos no 3º trimestre, mas acelera Optimus e exibe Roadster voador

Receita da Tesla ficou estagnada em US$ 28 bilhões no terceiro trimestre de 2026, enquanto o lucro líquido despencou 43%. A montadora de Elon Musk tenta desviar o foco para a produção do robô Optimus e para a polêmica demonstração do Roadster que voa.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Receita parada, lucro em queda livre

US$ 787 milhões. Foi esse o lucro líquido reportado pela Tesla no terceiro trimestre de 2026 (encerrado em setembro), uma queda de 43% em relação aos US$ 1,37 bilhão do mesmo período de 2025, segundo a própria empresa e confirmado pelo TechCrunch. A receita total somou US$ 28,0 bilhões, praticamente estável na comparação anual — o que, para uma empresa que historicamente vendeu a narrativa de crescimento acelerado, é um sinal amarelo. Pelo critério ajustado (non-GAAP), o lucro líquido foi de US$ 1,7 bilhão, número destacado pelo The Verge, mas que não muda o quadro de fundo: a rentabilidade da Tesla está sob pressão.

A receita automotiva caiu 3%, para US$ 20,6 bilhões, com a Tesla entregando 486.532 veículos no trimestre. Parte da queda vem do sumiço dos créditos regulatórios — benefícios fiscais que montadoras recebem por venderem carros elétricos —, que recuaram de US$ 417 milhões para apenas US$ 113 milhões. A divisão de energia solar e armazenamento também patinou, com receita de cerca de US$ 2,8 bilhões, queda de 16% ano a ano, atribuída em parte a reembolsos ligados a tarifas de importação. O único destaque positivo ficou com a área de serviços, que cresceu 33%, para US$ 4,6 bilhões, com lucro bruto recorde de US$ 734 milhões.

Foto: reprodução/theverge.com

Optimus assume o centro do palco

Com os números de carros perdendo brilho, a Tesla tentou redirecionar a atenção para o Optimus, seu robô humanoide. A empresa confirmou que a produção começou na fábrica de Fremont, na Califórnia — a mesma unidade histórica onde a montadora iniciou sua produção de veículos. Segundo a Tesla, a linha já opera com qualidade de produção comercial, embora o processo ainda esteja sendo refinado. A meta declarada é ambiciosa: a linha de Fremont foi projetada para produzir até 1 milhão de robôs por ano, enquanto uma segunda linha, na Gigafactory do Texas, está sendo desenhada para alcançar 10 milhões de unidades anuais a partir de 2027.

O Roadster que voa, mas não paga as contas

Dias antes do balanço, em 15 de outubro, a Tesla promoveu uma demonstração perto do centro de testes da SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, em McGregor, no Texas: o novo Roadster subiu uma rampa curva, ficou de cabeça para baixo, saltou usando propulsores a gás frio — tecnologia emprestada dos foguetes Falcon 9 da SpaceX — e pousou sobre outros carros da marca. Musk chamou o feito de "a melhor demonstração de produto já feita". Investidores, porém, reagiram com ceticismo: o espetáculo não evitou que o mercado cobrasse explicações sobre a queda de rentabilidade. Quem ganha, por ora, é a narrativa de inovação que sustenta o valuation da Tesla; quem perde é o acionista que espera lucro — e viu o fluxo de caixa livre cair 62%, para US$ 1,5 bilhão, mesmo com US$ 45,4 bilhões em caixa ainda no balanço.


Atualização (21/10, 21:43): Atualização: Durante a mesma teleconferência do 3º trimestre, a Tesla deu pela primeira vez um prazo concreto para uma promessa antiga de Elon Musk: a de que donos de carros Tesla poderão colocar seus próprios veículos para rodar como robotáxi dentro da frota da empresa. Segundo Ashok Elluswamy, chefe de IA da Tesla, a empresa pretende habilitar os primeiros veículos de clientes na rede de robotáxis por volta do 2º trimestre de 2027, usando a tecnologia de FSD (Full Self-Driving) sem supervisão.

Há, porém, uma ressalva importante: ao contrário da ideia original de Musk — de que o carro poderia dirigir o dono para qualquer lugar e ainda trabalhar como robotáxi de forma autônoma quando não estivesse em uso —, o que a Tesla descreveu agora é mais limitado. Os veículos dos clientes só vão operar dentro das zonas geofenced (delimitadas) onde o serviço de Robotaxi da Tesla já atua, sob gestão da própria empresa, e não em viagens pessoais livres como trajetos até o trabalho, estradas ou aeroportos fora dessas áreas.

A promessa remonta ao menos a 2019, quando Musk disse no primeiro "AI Day" da Tesla que donos de carros poderiam integrar a então chamada "Tesla Network" de robotáxis e gerar renda passiva. Desde então, o bilionário já fez diversas previsões de prazos para a condução autônoma sem supervisão que não se confirmaram — incluindo uma promessa feita em julho de 2025 de que o FSD sem supervisão estaria disponível para uso pessoal "até o fim daquele ano" em algumas regiões, o que não aconteceu.


Atualização (22/10, 13:09): Atualização (22/10/2026): Durante o mesmo call de resultados do 3º trimestre, Elon Musk revelou que a Tesla já iniciou a produção inicial do robô humanoide Optimus em uma linha de alto volume na fábrica de Fremont, na Califórnia — um passo além dos protótipos e lotes-piloto mostrados anteriormente. Segundo o executivo, essa é a primeira linha capaz de fabricar unidades com padrão de produção em massa.

Apesar do avanço, o próprio Musk foi direto sobre o que ainda falta resolver antes do robô estar pronto para uso comercial em larga escala. Ele citou quatro frentes específicas de trabalho pendente: as mãos do Optimus (considerada a área de hardware mais desafiadora, já que os dedos precisam ser simultaneamente sensíveis, duráveis e capazes de manipular objetos delicados sem danificar os sensores embutidos na "pele"), além de segurança, confiabilidade e durabilidade do robô como um todo. Musk afirmou que essas questões, somadas aos desafios de inteligência artificial embarcada, devem ser equacionadas apenas no fim do ano que vem, quando a Tesla planeja começar a entregar unidades a clientes externos.


Atualização (22/10, 15:46): No mesmo earnings call, Elon Musk revelou uma nova meta de produção: "estávamos buscando 5 milhões de veículos por ano até aproximadamente 2030", disse, afirmando acreditar numa "boa chance" de chegar lá. O número é um recuo e tanto frente à promessa que o próprio Musk fez em 2020, de 20 milhões de carros por ano até 2030 — meta abandonada silenciosamente nos últimos anos.

A conta não fecha com a realidade: a Tesla entregou 1.636.129 veículos em 2025, o que exige quase triplicar a produção em cinco anos, crescendo cerca de 25% ao ano de forma sustentada — ritmo que a montadora só atingiu uma vez na última década, em 2023. A empresa tem capacidade instalada para mais de 2,525 milhões de veículos por ano somando as fábricas de Fremont, Shanghai, Austin e Berlim, mas opera abaixo desse teto; o próprio Musk citou a disponibilidade limitada de baterias como fator que já limita os volumes atuais.

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