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Mercado26 de set. de 2026, 16:39

Tesla mira 1.000 robôs por semana, mas funcionários resistem a treiná-los

A Tesla quer produzir mais de 1.000 unidades do robô humanoide Optimus por semana até o fim de 2026, mas parte da força de trabalho relutou em gravar seus próprios movimentos para ensinar as máquinas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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A meta que a Tesla persegue: 1.000 robôs por semana

Mais de 1.000 unidades do robô humanoide Optimus por semana até o fim de 2026 — essa é a meta que a Tesla tenta bater na fábrica de Fremont, na Califórnia. O número não é trivial: a produção da versão V3 saiu de apenas algumas dezenas de unidades por semana no segundo trimestre de 2026 para "várias centenas" em agosto, um salto de cerca de dez vezes em dois ou três meses, segundo dados reunidos por veículos que acompanham a produção da montadora.

O problema é que parte dessa engrenagem depende de gente, não de máquinas. Para ensinar o Optimus a executar tarefas, a Tesla recruta os próprios funcionários para gravar seus movimentos — correr, agachar, repetir gestos — usando equipamentos de câmera pesados no corpo. Segundo reportagem da Ars Technica, trabalhadores relataram desconforto físico e resistência em treinar um sistema desenhado, em tese, para substituir postos de trabalho como o deles.

Quem ganha, quem perde

A pressão dos funcionários teve efeito prático: a Tesla migrou a coleta de dados de movimento para equipes dedicadas e criou os chamados "training hubs" só para essa função, tirando a tarefa do fluxo normal de trabalho de quem não se candidatou para o papel. É uma vitória pontual para quem reclamou, mas não resolve o dilema de fundo: alguém ainda precisa gerar os dados que tornam o robô mais autônomo, e quanto mais capaz o Optimus fica, menos claro é o futuro de quem o treinou.

Do lado da empresa, a aposta é de longo prazo e de escala industrial. A Tesla já converteu parte da produção das linhas do Model S e do Model X em Fremont para abrir espaço à fábrica de robôs e planeja uma segunda unidade na Giga Texas, com produção prevista para 2027. Para chegar lá, porém, a companhia ainda enfrenta gargalos de sensores, dados e segurança, e os robôs seguem dependendo de programação específica para cada tarefa e de ajustes manuais no chão de fábrica — nada parecido, ainda, com autonomia plena.

O ponto cego da narrativa

Elon Musk evita cravar um número fechado para 2026, falando apenas em "habilidades simples de fábrica" como primeiro estágio do robô. A distância entre a meta pública de 1.000 unidades semanais e o estágio real de maturidade do Optimus é exatamente o espaço em que mora a tensão com os funcionários: pede-se a eles ajudar a construir a tecnologia que, no discurso da empresa, deve eventualmente fazer o trabalho que hoje é deles.

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