
Tesla revela novo Roadster que voa e dirige de ponta-cabeça no Texas
Com propulsores desenvolvidos pela SpaceX, o carro saltou sobre cinco veículos da marca durante demonstração em Waco. Reservas custam a partir de R$ 270 mil, mas não há data de entrega confirmada.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Demonstração nos arredores de Waco
A Tesla apresentou a nova geração do Roadster em um evento ao ar livre nos arredores de Waco, no Texas, em 15 de outubro. Na demonstração, o carro subiu uma rampa invertida, girou no ar e aterrissou sobre o asfalto, além de saltar em movimento sobre cinco outros veículos da marca: o robotáxi Cybercab, a picape Cybertruck, o caminhão elétrico Tesla Semi, o SUV Model Y e o sedã Model 3.
Tecnologia da SpaceX
Foto: reprodução/techcrunch.com
As manobras foram possíveis graças a dez propulsores a gás frio instalados ao redor da carroceria, alimentados por um sistema de 600 litros de ar comprimido armazenado em vasos de pressão reforçados com fibra de carbono — a mesma tecnologia usada em foguetes da SpaceX, empresa aeroespacial também fundada por Elon Musk. Esses componentes preenchem praticamente todo espaço livre do chassi, segundo a Tesla.
Três versões, preços bem diferentes
O novo Roadster será vendido em três configurações. A versão Performance, voltada ao uso nas ruas, tem dois lugares, aerodinâmica ativa e um sistema de sucção multimodo que permite ao carro colar em superfícies verticais; a reserva custa 50 mil dólares, cerca de R$ 270 mil na cotação atual. Já a versão Thrust, focada em pista, também tem dois lugares e usa propulsores traseiros para acelerar de 0 a 97 km/h em menos de um segundo — a reserva sai por 250 mil dólares (R$ 1,35 milhão). No topo, a versão Rocket, de um lugar só, usa os dez propulsores para voos curtos e só pode ser comprada por convite.
Foto: reprodução/theverge.com
Números de desempenho e prazo incerto
Em todas as versões, a Tesla promete autonomia de cerca de 483 km e velocidade máxima acima de 370 km/h. O design é inspirado nas linhas angulares dos aviões militares SR-71 e F-35. A fabricação deve começar em 2028, mas a montadora não confirmou data de entrega aos clientes — um padrão de atrasos que já marcou outros lançamentos da empresa.
Vale a pena reservar?
Para quem sonha com um supercarro elétrico que também voa, o apelo é evidente. Mas entre a demonstração e a entrega real ainda faltam anos, e o histórico da Tesla com prazos de produção pede cautela de quem for colocar R$ 270 mil na mesa hoje.
Atualização (16/10, 12:44): A manobra aérea exibida por Elon Musk em Austin foi, segundo análise do The Verge, uma demonstração de marketing que não representa o que será efetivamente produzido e vendido. O veículo usado no show era um protótipo sem motorista — Musk disse que a ausência de condutor foi deliberada "para garantir que não matássemos ninguém" caso a manobra desse errado — e dependia de um sistema de sucção para se prender à rampa invertida antes de ser solto e usar jatos de gás frio para estabilizar a queda.
A reportagem destaca que praticamente todos os números divulgados no evento, incluindo o tempo de 0 a 100 km/h e a própria capacidade de voo, partem apenas das declarações de Musk no palco, sem verificação independente de reguladores e sem testes fora da instalação controlada da SpaceX. A Tesla já confirmou que os pacotes "Thrust" e "Rocket" não são aprovados para uso em vias públicas, e que a versão "Rocket" será vendida apenas por convite, sem número de unidades ou preço definidos. A meta de início de produção, segundo Musk, é 2028 — prazo que a própria reportagem trata com ceticismo dado o histórico de quase uma década de atrasos do Roadster.