
Testamos o Muse, agente de compras da Meta: rápido, mas depende de humano
O Muse, agente de IA de compras da Meta, resolveu US$ 500 em compras de camping em minutos. Em tarefas com ligação telefônica ou sites que bloqueiam bots, travou.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O teste
Um jornalista da imprensa americana passou uma manhã de setembro de 2026 testando o Muse, agente de IA de compras da Meta lançado em 8 de setembro. O app soma mais de 2,5 milhões de downloads e chegou ao topo da App Store nos Estados Unidos, à frente do ChatGPT.
O Muse permite escolher um avatar e dar um nome ao agente. A proposta é simples: delegar tarefas cotidianas que envolvem cartão de crédito, desde encomendar uma peça até fechar um orçamento com prestador de serviço.
Foto: reprodução/cnbc.com
O que funcionou
Em uma tarefa, o Muse acessou o Gmail do usuário, identificou um orçamento atrasado de um paisagista e redigiu um e-mail de cobrança sozinho. Em outra, comparou preços de equipamento de camping em diferentes lojas, montou um carrinho de cerca de US$ 500 e ajudou a priorizar o que comprar primeiro. Para pedir orçamentos de remoção de um galho de árvore, o agente pesquisou empresas, reuniu endereço, telefone e foto da casa, e enviou as solicitações sozinho.
"É surpreendentemente fácil gastar dinheiro quando um assistente fofo está circulando pela internet com seu cartão", resumiu o teste.
Onde travou
O Muse não consegue fazer ligações telefônicas. Ao tentar rebaixar um plano de monitoramento de segurança residencial, a tarefa exigiu contato por telefone e não foi concluída. A Amazon bloqueia agentes de IA de navegar em sua loja — o Muse conseguiu apenas trazer links de produtos via buscadores externos. Em outros varejistas, o agente navegou pelo site, mas o checkout final ainda exigiu que o usuário digitasse dados manualmente, porque a loja bloqueia cliques automatizados na finalização da compra.
O uso também exigiu compartilhar dados sensíveis: nome completo, endereço, número de cartão de crédito, foto da casa e credenciais de acesso, tudo em cerca de 40 minutos de teste.
O contexto
A Meta fechou parcerias com Expedia e PayPal para ampliar o alcance do Muse em viagens e pagamentos. Ainda assim, uma pesquisa da Vogue Business mostra que só 31% das pessoas topariam terceirizar compras para um agente de IA, mesmo que ele conhecesse seu histórico e gosto pessoal.
O que falta responder
Falta saber se a Meta vai liberar ligações telefônicas para o agente, como ela vai lidar com o bloqueio de grandes varejistas como a Amazon, e se a promessa de "gastar por você" resiste a um uso prolongado sem supervisão constante do usuário.
Atualização (23/09, 21:46): No Meta Connect 2026, realizado nesta semana, a Meta anunciou novos recursos para o Muse que ampliam o que o agente pode fazer sozinho. O destaque é a chegada de chamadas de vídeo em tempo real: o usuário poderá conversar ao vivo com um avatar do Muse (batizado de Muse Realtime Avatar, construído sobre a tecnologia Muse Realtime Voice), com opção de personalizar a voz do agente — pedindo, por exemplo, que fale mais rápido, mais devagar ou com um sotaque específico. Segundo a Meta, o agente continua executando tarefas em segundo plano mesmo enquanto o usuário ainda está na conversa. Além disso, cada Muse passará a ter um endereço de e-mail próprio, que poderá ser usado tanto para executar tarefas (como enviar mensagens em nome do usuário) quanto como um canal alternativo de comunicação com o agente.
A outra novidade é a expansão do Muse para os óculos inteligentes da Meta. A empresa afirmou que está trabalhando para levar o agente aos óculos, permitindo ativá-lo por voz apenas dizendo seu nome, em modo hands-free — útil para quem está dirigindo, cozinhando ou se exercitando. Nos óculos, o Muse poderá guiar treinos personalizados, registrar refeições e informações nutricionais, ajudar a comprar produtos que o usuário está olhando, agendar compromissos, verificar preços de passagens aéreas e procurar peças de reposição. A Meta não informou modelos específicos de óculos compatíveis nem data de lançamento, dizendo apenas que a integração está "a caminho". A empresa reforçou ainda que o Muse roda em uma máquina virtual dedicada na nuvem, com um sistema separado chamado Sentinel controlando o acesso à rede e as ações do agente em serviços conectados.