
TI aposta em sensor 20x mais preciso para espremer mais autonomia do elétrico
A Texas Instruments lançou o TMCS2100-Q1, sensor de corrente que promete até 20 vezes mais precisão que soluções convencionais em inversores de tração, prometendo mais eficiência e autonomia sem aumentar a bateria.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
20 vezes mais preciso: o número que muda a conta da autonomia
A Texas Instruments anunciou em 25 de agosto o TMCS2100-Q1, um sensor de corrente que promete até 20 vezes mais precisão que as alternativas single-axis sem núcleo magnético hoje usadas em inversores de tração de carros elétricos e híbridos. Na prática, isso significa medir com mais exatidão a corrente que sai da bateria e chega ao motor — e cada ponto percentual de precisão nessa medição vira eficiência que se traduz em quilômetros rodados a mais, sem colocar um único quilo extra de célula no pacote de baterias.
Como o sensor chega a esse número
Foto: reprodução/ti.com
O TMCS2100-Q1 usa efeito Hall e é, segundo a TI, o primeiro do tipo a medir campo magnético simultaneamente nos eixos horizontal e vertical, o que corrige desalinhamentos causados por vibração do veículo em movimento — um problema real em soluções mais simples, que perdem precisão assim que o sensor se desloca um milímetro do condutor. Os números divulgados pela fabricante mostram isso: taxa de erro abaixo de 1% com deslocamento de 0,4mm entre sensor e condutor, e de apenas 0,25% com 0,1mm. "Pela primeira vez, engenheiros têm um sensor de efeito Hall que rompe os limites" das soluções anteriores, afirmou Jason Cole, vice-presidente e gerente geral de Sensing Products da TI, em comunicado da empresa.
Quem ganha e quem perde
Para as montadoras, o apelo é direto: um inversor de tração mais preciso reduz perdas térmicas e vibrações mecânicas, permitindo projetos mais leves e compactos — e abrindo caminho para otimizações em softwares e arquiteturas de 800V, o padrão que já pauta a nova geração de elétricos. Isso é munição de marketing valiosa num mercado em que autonomia ainda é o principal fator de decisão de compra, e onde aumentar a bateria custa caro e pesa no preço final do carro.
Do lado da concorrência, o movimento pressiona fabricantes de sensores de corrente que ainda dependem de núcleo magnético — mais precisos, porém mais pesados — ou de soluções coreless de eixo único, agora tecnicamente ultrapassadas pelo anúncio da TI. Resta saber quem vai licenciar ou replicar a abordagem multiaxial.
Para o consumidor, o ganho é indireto e ainda sem data certa: a TI diz que quantidades em produção já estão disponíveis sob encomenda pelo site da empresa, com módulos de avaliação e kits de referência para desenvolvimento — mas não divulgou preço nem cronograma de adoção pelas montadoras. Ou seja, o salto de eficiência é real no papel; o impacto no carro que chega à concessionária depende de quantos fabricantes decidirem integrar o componente aos próprios inversores.