
TikTok faz acordo nos EUA e limita tela de adolescentes a 2h
TikTok fechou acordo de até US$ 300 milhões com o Alabama após acusação de dano à saúde mental de menores, e vai limitar o uso diário de adolescentes a duas horas.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O TikTok fechou um acordo extrajudicial com o estado americano do Alabama, três dias antes do início do primeiro julgamento movido por um estado dos EUA contra a plataforma. A ação acusava a rede social — controlada pela ByteDance, empresa chinesa de tecnologia — de alimentar uma crise de saúde mental entre adolescentes, direcionando menores a conteúdo cada vez mais intenso sobre violência e automutilação, além de mentir sobre proteção de menores para conseguir classificação de "app seguro" nas lojas da Google, Apple e Microsoft.
Pelo acordo, o TikTok já garante US$ 100 milhões (cerca de R$ 518 a 600 milhões, a depender da cotação) em reparação. O valor pode chegar a US$ 300 milhões — os R$ 1,5 bilhão citados nas manchetes — se outros procuradores-gerais estaduais, entre os cerca de 40 que também investigam a empresa, assinarem acordos parecidos dentro do prazo estabelecido.
Quem é afetado
A mudança prática mira especificamente adolescentes de 13 a 17 anos — não a base geral de usuários adultos. Nenhuma das regras abaixo vale hoje para quem já é maior de idade.
O que muda a partir de agora
- Limite de 2 horas diárias de uso para contas de adolescentes;
- Bloqueio de acesso à plataforma entre meia-noite e 6h;
- Suspensão de notificações durante o horário escolar;
- "Pausas produtivas" que interrompem o uso automaticamente após 15, 60 e 90 minutos seguidos de sessão;
- Proibição de filtros estéticos personalizados para contas de menores;
- Feed padrão sem personalização algorítmica agressiva para adolescentes;
- Reforço nos controles parentais e na verificação de idade.
Por que isso importa
O acordo não é uma sentença de culpa — TikTok e o procurador do Alabama não divulgaram declaração pública sobre o mérito das acusações. Mas o desenho das novas regras segue uma tendência que já apareceu antes na Meta, dona do Instagram: limitar o tempo de tela de menores virou moeda de troca padrão pra evitar julgamento nos Estados Unidos. Para famílias brasileiras, vale de referência prática: se o TikTok aplica esses limites nos EUA por pressão judicial, é sinal de que os controles parentais já existentes no app — e hoje pouco usados por aqui — merecem ser configurados independente de lei nenhuma obrigar.