
TIM Brasil, avaliada em R$ 31,8 bi, pode ficar sem dono italiano
A Poste Italiane, empresa estatal de serviços postais da Itália que assumiu o controle da Telecom Italia, sinaliza que não trata a operação brasileira como ativo estratégico e usará a fatia taticamente.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 31,8 bilhões em xeque
A TIM Brasil, avaliada em cerca de R$ 31,8 bilhões em valor de mercado, entrou no radar de uma possível venda depois que o CEO da Poste Italiane, a estatal italiana de serviços postais que se tornou controladora indireta da operadora brasileira, afirmou que vai usar a fatia na empresa taticamente nos próximos meses. A declaração de Matteo Del Fante, feita em evento econômico em Roma no dia 27 de outubro, não anuncia uma venda formal, mas deixa claro que o Brasil não entra no plano de expansão de serviços digitais que a Poste Italiane monta na Itália.
Como chegou até aqui
A Poste Italiane detém cerca de 87% da Telecom Italia, que por sua vez controla aproximadamente 68% da TIM Brasil. Foi essa cadeia de controle que tornou a estatal italiana dona indireta da operadora brasileira sem que houvesse qualquer negociação direta voltada ao mercado local, um efeito colateral da consolidação que a Poste Italiane promoveu na própria Itália. Del Fante chegou a dizer que a operação brasileira não está à venda, mas o contraponto de que ela também não é estratégica abriu a interpretação de que uma saída, via venda de participação ou outro arranjo, está sobre a mesa.
Quem perde com a indefinição
A Telecom Italia tira quase metade dos lucros centrais do Brasil, o que torna a eventual saída da TIM do guarda-chuva europeu um movimento delicado: quem compra precisa ter fôlego para pagar por um ativo que sustenta a lucratividade do grupo, e quem vende perde justamente a operação mais rentável da carteira internacional. O mercado reagiu com cautela mista, as ações ordinárias da TIM chegaram a subir 1,7%, para R$ 18,42, no pregão seguinte ao comentário de Del Fante, sinal de que investidores apostam em um desfecho positivo, como uma venda a prêmio ou maior autonomia de gestão local.
Próximo capítulo
A Poste Italiane promete detalhar os planos para a TIM Brasil num plano de negócios conjunto esperado para o primeiro trimestre de 2027. Até lá, a operadora brasileira, uma das maiores do país ao lado de Vivo e Claro, segue sob controle europeu, mas com o futuro em aberto. Para concorrentes e para o próprio mercado de telecomunicações brasileiro, a principal pergunta é quem teria capacidade financeira para absorver uma fatia de controle avaliada em bilhões de reais caso a tese de venda avance.